sexta-feira, 8 de março de 2013

Espiritualidade

Quaresma, sexta-feira da semana III: arte contemporânea | IMAGENS |
Avançando silenciosamente para essas esculturas – porque é o silêncio que logo nos impõem -, deparamos com o tampo invertido da mesa superior e percebemos com surpresa que é atravessado, aqui e ali, por ervas verdes. A morte é fecunda. (Mas a vida é frágil. Essas ervas têm de ser cuidadas regularmente, não podem ser negligenciadas. Também elas secarão e outras nascerão…). Uma oração muda. Um memorial aos injustamente condenados, aos sem voz, para que não sejam esquecidos. Uma forma silenciosa, mas pregnante, de luto. Manifestação do poder ético da estética. Na deambulação por entre esta instalação, como não ser implicado e afetado pela violência serena da imagem e a consequente reflexão sobre a finitude, a fragilidade, a nossa própria vulnerabilidade? Mas como não nos alegrarmos também com a surpresa pascal da força renascente da vida?

Sem comentários: