quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos

O Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos surgiu em 1908, por iniciativa de Thomas Watson, um convertido do anglicanismo ao catolicismo, que propôs a vários grupos de cristãos rezar pela unidade, entre os dias 18 de janeiro (Festa da Cátedra de S. Pedro) e 25 de janeiro (Festa da Conversão de S. Paulo). A partir dos anos 60 do séc. XX, passou a haver um subsídio comum para este Oitavário, elaborado com a colaboração da Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas e do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Nas palavras de P. Paul Couturier (1881-1953), esta Semana de Oração não pretende antecipar uma unidade institucional, mas antes rezar pela unidade plena, que ultrapassa as limitações históricas e eclesiais e que "será como Deus quer, quando Ele quiser e através dos meios que Ele escolher".

Em 2018, o Oitavário tem como mote: "A tua mão direita, Senhor, resplandeceu de força" (Êxodo 15, 6)

O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos apresenta a seguinte reflexão sobre o tema:

A libertação e a salvação do povo de Deus vêm através do poder de Deus. A mão direita de Deus pode ser compreendida como a vitória de Deus sobre os seus adversários e também como a infalível proteção do próprio povo. Apesar das ordens do Faraó, Deus escutou o clamor do seu povo e não deixará o seu povo perecer porque Deus é o Deus da vida. Com o seu domínio sobre o vento e o mar, Deus mostra o seu desejo de preservar a vida e destruir a violência (Êxodo 15,10). O objetivo dessa redenção era fazer dos israelitas um povo de louvor, que reconhece o amor perseverante de Deus.

A libertação trouxe esperança e uma promessa para o povo. Foi esperança porque um novo dia havia despontado, em que o povo podia livremente adorar o seu Deus e por em ação o seu potencial. Era também uma promessa: o seu Deus os acompanharia por toda a caminhada e nenhuma força poderia derrotar o propósito de Deus para eles.

O capítulo 15 do Êxodo faz-nos ver como o caminho para a unidade precisa frequentemente de passar por uma experiência comunitária de sofrimento. A libertação dos israelitas da escravidão é o evento fundamental da constituição desse povo. Para os cristãos o processo tem o seu ponto alto na encarnação e no mistério pascal. Embora na libertação/salvação Deus tenha a iniciativa, Deus envolve forças humanas na realização do seu objetivo e nos planos para a redenção do seu povo. Os cristãos, pelo batismo, participam do ministério divino de reconciliação, mas as nossas divisões restringem o nosso testemunho e a nossa missão num mundo necessitado da cura que vem de Deus.

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