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sábado, 1 de agosto de 2020

Incêndios: D. Rui Valério fala em cenário de «destruição» e «desertificação» que se repete a cada verão

Bispo das Forças Armadas e de Segurança enviou mensagem de encorajamento a quem está na frente de combate ao fogo
Lisboa, 31 jul 2020 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e de Segurança enviou uma mensagem de encorajamento a todos os envolvidos no combate aos incêndios, lamentando o cenário de destruição e “desertificação” que se repete no país, a cada verão.

“Em Portugal, o verão tornou-se sinónimo de incêndios. Um flagelo que se tem traduzido em destruição, desolação, morte, desespero, abandono, desertificação… Quando a floresta arde, também a alma dos homens se queima”, escreve D. Rui Valério, num texto enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O responsável católico evoca a experiência de quem já perdeu os seus haveres, num momento que deixa marcas profundas para o futuro.

“A pobreza, a incerteza do amanhã, o desemprego, tudo escava sulcos de desconfiança nas almas. Trata-se, na verdade, de uma tragédia que mina diretamente a essência do ser humano”, refere.

O prelado sublinha que o trabalho no âmbito do combate aos incêndios tem “sempre uma relevância humanista”.

Como o destino das florestas, dos campos e de tudo o mais que possa ser dizimado pelas chamas tem ligações profundas com as pessoas, as quais se ressentem com a sua destruição, também o que for feito em prol das populações tem o efeito de um recomeço. É a fonte da esperança.

O responsável pelo Ordinariato Castrense destaca que as Forças Armadas e Forças de Segurança, “com a sua presença e ação no terreno, têm sido obreiras de renascimentos e arautos dessa esperança”.

“Caros Militares e Elementos das Forças de Segurança, com esta mensagem, tão breve quanto sentida, venho agradecer a vossa dedicação em defender Portugal. As palavras, embora insuficientes, exprimem a nossa gratidão e o nosso apreço, num ato de sincera retribuição, pelo vosso zelo em proteger o nosso país”, acrescenta.

D. Rui Valério manifesta uma “sincera admiração” pela entrega de quem está na linha da frente do combate ao fogo, colocando em risco a própria vida, e pelas suas famílias.

“A vossa atuação cria nas pessoas um profundo sentimento de segurança. E sobre esse sentimento, as pessoas constroem uma confiança sólida e uma esperança elevada. E vós, no meio da desolação, sóis um oásis para o renascimento”, escreve.

A mensagem conclui-se com uma oração, para que “o flagelo do incêndio nunca se revele uma certidão de óbito para ninguém”.

OC

terça-feira, 28 de julho de 2020

Covid-19: Vaticano lança campanha de abraços para os mais velhos

«Respeitar o distanciamento não significa aceitar um destino de solidão e de abandono» – Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Cidade do Vaticano, 27 jul 2020 (Ecclesia) – O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé) lançou hoje uma campanha de abraços, físicos e virtuais, para os mais velhos, inspirado pela intervenção do Papa, este domingo, sobre o Dia dos Avós.

“É possível vencer o isolamento dos idosos também respeitando rigorosamente as normas de saúde em matéria de Covid-19. A pandemia atingiu particularmente os idosos e debilitou os já fracos vínculos entre as gerações, mas respeitar o distanciamento não significa aceitar um destino de solidão e de abandono”, assinala um comunicado do organismo da Cúria Romana, enviado à Agência ECCLESIA.

A campanha “Cada idoso é teu avô” convida os jovens de todo o mundo a fazer “um gesto de ternura para com os idosos que se sentem sozinhos”.

A nota destaca os testemunhos que chegam de várias comunidades católicas, que multiplicaram contactos telefónicos, via web, redes sociais – “até serenatas para os hóspedes das casas de repouso” – realizados por jovens, para impedir a solidão de muitas pessoas forçadas pela pandemia a permanecer em suas casas ou fechadas em lares.

Nesta fase da campanha, para respeitar as normas sanitárias em vigor nos diferentes países, o convite é o de “reunir virtualmente os idosos mais solitários do bairro ou da paróquia e enviar-lhes um abraço, como o Papa pediu, por meio de uma ligação telefónica, uma videochamada ou uma imagem”.

“Onde for possível – ou quando a emergência sanitária permitir -, convidamos os jovens a tornar o abraço ainda mais concreto, indo ao encontro dos idosos pessoalmente”, acrescenta o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

A iniciativa tem associada a hashtag #sendyourhug e os posts mais significativos vão ser divulgados nas contas de redes sociais do organismo do Vaticano, @laityfamilylifedisse.

Este domingo, o Papa assinalou o Dia dos Avós, na memória litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, pedindo atenção especial aos mais velhos, particularmente atingidos pela pandemia.

“Caros jovens, cada um destes idosos é vosso avô, não os deixem sós. Usai a fantasia do amor- telefonemas, videochamadas, mensagens-, escutai-os e, onde for possível – no respeito pelas normas sanitárias –, visitai-os. Enviai-lhes um abraço, eles são as vossas raízes”,

OC 

domingo, 26 de julho de 2020

Portugal: Igreja Católica assinala Dia dos avós

«Sociedade que não protege, não cuida, não admira os mais velhos, está condenada ao fracasso», alertam bispos
Lisboa, 25 jul 2020 (Ecclesia) – A Igreja Católica vai promover celebrações e iniciativas culturais para assinalar o Dia dos Avós, na festa litúrgica de São Joaquim e de Santa Ana, os avós de Jesus, este domingo, destacando a importância de respeitar os mais velhos.

“Uma sociedade que não protege, não cuida, não admira os mais velhos, está condenada ao fracasso”, afirma a Comissão Episcopal do Laicado e da Família, da Conferência Episcopal Portuguesa, na mensagem para o Dia dos Avós 2020.

Os bispos católicos salientam que o Dia dos Avós “é uma oportunidade para dar graças, abraçar e celebrar a presença dos avós no passado e no presente, ir às próprias raízes e descobrir neles a ternura e o amor de Deus”.

A Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF) convida a sociedade a celebrar o “tesouro” que os avós representam, em particular perante a atual pandemia.

“Neste tempo que vivemos, precisamos de o dizer de forma clara, de o defender de forma assertiva. E os tesouros são protegidos, tocados com cuidado e admiração. Uma sociedade que não protege, não cuida, não admira os mais velhos, está condenada ao fracasso”, refere o organismo episcopal.

A CELF destaca a importância do “testemunho concreto e real de outros tempos, tantas vezes marcados por dificuldades, lutas e carências”.

“Talvez sintamos a vontade de correr para os braços de um avô velhinho, de uma avó sozinha. Ou de rezar por quem já partiu. Ou de contar a um filho, a uma neta, a história dos avós, dos bisavós, de todos os que nos deram a vida”, acrescenta a mensagem.
"O dia dos avós é uma oportunidade para dar graças, abraçar e celebrar a presença dos avós no passado e no presente, ir às próprias raízes e descobrir neles a ternura e o amor de Deus”.
Na Diocese da Guarda, a festa litúrgica de São Joaquim e de Santa Ana, pais de Nossa Senhora e avós de Jesus, vai ser celebrada em Seia, numa iniciativa do Departamento Diocesano da Pastoral da Família, a partir das 10h30, na igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Para além da Eucaristia, com a participação do Grupo Coral Nossa Senhora da Assunção de Seia, vai ser divulgada a mensagem de D. Manuel Felício para o Dia dos Avós, onde assinala que os avós “são chamados a desempenhar “no crescimento e na educação dos netos”.

“Educar bem uma criança, um adolescente ou um jovem não pode consistir apenas em lhes apresentar códigos de conduta, implica compreender e assimilar valores essenciais em ordem a uma vida equilibrada e com projeto”, observa.

O Santuário de Fátima convida todos os avós a “consagrarem-se a Nossa Senhora”, este domingo, no final da Missa das 11h00, no Recinto de Oração na Cova da Iria.

A Irmandade dos Clérigos, na Diocese do Porto, desafia avós e netos a descobrirem a sua torre e museu numa visita onde as duas gerações “podem experienciar e partilhar conhecimentos”, às 10h30 e às 17h00, deste domingo.

Em Santarém, o Museu Diocesano “associa-se às comemorações do Dia dos Avós – Dia de São Joaquim e Santa Ana”e aos 100 anos do nascimento de Amália Rodrigues com “um belo final de tarde com fados”

A iniciativa ‘Fado no Pátio’ conta com “os amigos fadistas: Natália Ferreira e José Neves, acompanhados na guitarra portuguesa e na viola, por Diogo Ferreira e Rui Girão, respetivamente”, entre as 16h30 e as 18h30, deste domingo, com lotação limitada, “para garantia da segurança entre todos os participantes” e os lugares podem ser reservados ( telefone 243304065 ou email geral@museudiocesanodesantarem.pt).

CB/OC

A Associação Famílias incentiva que se aproveite o ‘Dia Nacional dos Avós para “exigir um maior respeito, atenção e carinho”, assinalando que atual situação pandémica realçou aspetos que merecem “séria reflexão”, lembrando que este dia é comemorado em Portugal por decisão do Parlamento aprovada a 22 de maio de 2003.

domingo, 12 de julho de 2020

Ordinariato Castrense: D. Rui Valério destaca a «essência de herói» ao serviço da GNR

Bispo presidiu a exéquias fúnebres de militar, vítima de acidente na A1
Foto: GNR
Santarém, 11 jul 2020 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Rui Valério, presidiu este sábado às exéquias fúnebres do militar da GNR Carlos Pereira, vítima de acidente na A1, e salientou “a essência de herói” no serviço por “Portugal e pelos portugueses”.

“Por Portugal e pelos portugueses, no cabal cumprimento da sua missão de Guarda derramou o seu sangue, deu a sua vida, entregou o melhor, o mais nobre e precioso de si”, disse o prelado na sua homilia.

D. Rui Valério apontou ainda a essência de herói fazendo um agradecimento.

“Encontramos aqui a essência do herói, a estatura do patriota, a substância do Guarda a servir a Pátria. Obrigado, Carlos, porque engrandeceste a Guarda e Portugal com a tua bravura, mas também com a tua lealdade e, sobretudo, com a dádiva de ti próprio”, afirmou. 

O prelado apontou ainda a esperança apesar do sofrimento da família, amigos e camaradas do comando territorial de Santarém.

“Caro Carlos, obrigado por teres perseverado nessa esperança que, antecipando os bens futuros, os torna presentes aqui e agora. E ter-te conhecido é a prova de que já possuímos o que ainda esperamos”, disse D. Rui Valério.

O Militar da GNR Carlos Pereira faleceu vítima do aparatoso acidente ocorrido na passada terça-feira, na A1 entre Torres Novas e Santarém, e as cerimónias fúnebres aconteceram este sábado na Igreja de Nossa Senhora de Alcáçovas, em Santarém.

SN

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Covid-19: D. José Traquina destaca «coragem» dos profissionais de saúde na resposta à pandemia

Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana diz que Serviço Nacional de Saúde «é um grande bem», que deve chegar a toda a população
Foto: Lusa/EPA
Santarém, 09 jul 2020 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana afirmou que o “Serviço Nacional de Saúde é um grande bem em Portugal”, destacando a “coragem” dos profissionais de saúde durante a atual pandemia.

“Foi notável e é preciso sublinhar a destreza, a coragem, dos profissionais de saúde em enfrentarem o medo para viverem estes momentos, aquilo que se dispuseram, alterar um programa de vida, deixar para trás direitos pessoais, porem em risco a sua própria saúde, a sua própria vida, e a sua família para viver a sua profissão”, disse D. José Traquina à Agência ECCLESIA.

O bispo de Santarém afirma a gratidão e reconhecimento por “essa consideração pela vida humana”.

Neste contexto, e quando na Assembleia da República se realizam audiências dedicadas aos cinco projetos de Lei sobre a legalização da eutanásia em Portugal, D. José Traquina assinala que “o médico se sente vitorioso quando defende a vida”, não a morte.

“É preciso conhecer o que é que são os cuidados paliativos. É qualquer coisa de espantoso em termos de bem para a pessoa, agora é preciso que funciona para todos, que haja para todos”, observou.

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana destaca que o Serviço Nacional de Saúde “é um grande bem em Portugal, mesmo que haja fragilidades, coisas que não corram bem”, e “é bom que se mantenha”, que possa ser fortalecido e “com abrangência às respostas necessárias à população”.

Segundo D. José Traquina, o tema da saúde e das diferenças entre regiões “deve ser motivo de reflexão”, porque, longe do litoral, “há comunidades fragilizadas”, considerando que existem “opções politicas que podem ajudar a valorizar mais o Interior”.

Os bispos portugueses, no recente documento ‘Recomeçar e reconstruir’, pedem políticas de futuro e o bispo de Santarém lembra as cidades como Leiria e também do interior de Portugal, como Castelo Branco, Bragança, “ganharam logo outra vida, outra graça, outra dimensão” com universidades e institutos politécnicos.

“Isso mostra como esta possibilidade dá às cidades, dá às vilas, um sonho, dá horizontes, capazes de desenvolver um trabalho nessas cidades de atração a alunos do estrangeiro que é muito curioso”, acrescentou o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.

Desde segunda-feira, D. José Traquina é o entrevistado do programa ‘Ecclesia’, na Antena 1 da rádio pública, que pode ser ouvido pelas 22h45, numa reflexão sobre a sociedade que tem como base o documento ‘Recomeçar e reconstruir’, sobre a sociedade portuguesa a reconstruir depois da pandemia de Covid-19.

CB/OC