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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Papa evoca pintor Rafael e lembra que violência contra mulheres é «profanação de Deus»

O papa Francisco lembrou hoje que em 2020 passam 500 anos da morte do pintor italiano Raffaello Sanzio (Rafael), a quem se deve um «ingente património de inestimável beleza», e o 70.º aniversário da proclamação da Assunção da Virgem Maria ao Céu.

No discurso aos membros do Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé para a saudação de ano novo, Francisco lembrou que «como o génio do artista sabe compor harmoniosamente materiais em bruto, cores e sons diferentes, tornando-os parte de uma única obra de arte, assim a diplomacia é chamada a harmonizar as particularidades dos vários povos e estados para edificar um mundo de justiça e de paz, é que é obelo quadro que desejamos poder admirar».

Rafael, que faleceu a 6 de abril de 1520, «foi um filho importante de uma época, a do Renascimento, que enriqueceu toda a humanidade. Uma época não privada de dificuldades, mas animada de confiança e esperança», assinalou o papa.

«Através deste insigne artista, desejo fazer chegar os meus mais sentidos votos ao povo italiano, a quem desejo que redescubra esse espírito de abertura ao futuro que marcou o Renascimento, e que tornou esta península tão bela e rica de arte, história e cultura», acrescentou.

Francisco salientou aos cerca de 180 representantes diplomáticos que «um dos sujeitos preferidos da pintura de Rafael era Maria», a quem «dedicou numerosas telas que podem hoje ser admiradas em vários museus do mundo».

Depois de se referir à proclamação da Assunção, o papa dirigiu «um pensamento particular a todas as mulheres», 25 anos após a 4.ª conferência mundial da ONU sobre a mulher, realizada em Pequim, em 1995, «fazendo votos que em todo o mundo seja cada vez mais reconhecido o papel precioso das mulheres na sociedade, e cesse toda a forma de injustiça, desigualdade e violência em relação a elas».

«Toda a violência infligida à mulher é uma profanação de Deus. Exercer violência contra uma mulher, ou explorá-la, não é um simples ato, é um crime que destrói a harmonia, a poesia e a beleza que Deus quis dar ao mundo», frisou.

«A Assunção de Maria convida-nos também a olhar mais longe, para o cumprimento do nosso caminho terreno, para o dia em que a justiça e a paz serão plenamente restabelecidas. Sentimo-nos assim encorajados, através da diplomacia, que é a nossa tentativa humana, imperfeita, mas sempre preciosa, a trabalhar com zelo para antecipar os frutos deste desejo de paz, sabendo que a meta é possível», apontou.

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: Rafael
Publicado em 09.01.2020

segunda-feira, 16 de junho de 2014

São os pobres que pagam a corrupção dos políticos e do clero, diz papa Francisco

O papa Francisco afirmou hoje, no Vaticano, que as pessoas mais desfavorecidas são as primeiras prejudicadas pela corrupção exercida por pessoas que detêm o poder, desde políticos a membros do clero católico.

«Se falamos dos corruptos políticos ou dos corruptos económicos, quem paga isso? Pagam os hospitais sem medicamentos, os doentes que não têm tratamento, as crianças sem educação», vincou, citado pela Rádio Vaticano.

Na homilia da missa a que presidiu, Francisco referiu-se também à dissolução que ocorre dentro da Igreja: «Quem paga a corrupção de um prelado? Pagam-na as crianças, que não sabem fazer sobre si o sinal da cruz, que não sabem a catequese, que não são acompanhadas».
«Pagam-na os doentes que não são visitados, pagam-na os presos que não têm atenções espirituais. Os pobres pagam. A corrupção é paga pelos pobres: pobres materiais, pobres espirituais», acentuou.

A sedução do dinheiro em detrimento é um fenómeno que se alastra a vários níveis da sociedade: «Lemos muitas vezes nos jornais: foi a tribunal aquele político que se enriqueceu por magia. Foi a tribunal, foi levado ao tribunal aquele diretor de empresa que se enriqueceu por magia, isto é, explorando os seus trabalhadores».

«Fala-se em demasia de um prelado que se enriqueceu demais e deixou o seu dever pastoral para tratar do seu poder. Assim são os corruptos políticos, os corruptos dos negócios e os corruptos eclesiásticos. Estão em todo o lado», acrescentou.

Para Francisco, a corrupção é um «pecado» fácil de cometer por quem tem «autoridade sobre os outros, seja económica, seja política, seja eclesiástica», porque «quando alguém tem autoridade sente-se poderoso, sente-se quase Deus».

O único caminho para «vencer a tentação» do «bem-estar», do «dinheiro», da «vaidade» e do «orgulho», que pode até levar a «matar», consiste no «serviço»: «A corrupção vem do orgulho, da soberba, e o serviço humilha-te», enquanto «caridade humilde para ajudar os outros».

«Hoje, ofereçamos a missa por aquele, tantos, tantos, que pagam a corrupção, que pagam a vida dos corruptos. Estes mártires da corrupção política, da corrupção económica e da corrupção eclesiástica. Rezemos por eles. Que o Senhor esteja perto deles (...) e lhes dê força para continuar no seu testemunho», concluiu.

O Vaticano anunciou no sábado que o papa vai suspender as missas matinais com fiéis durante os meses de julho
e agosto. Em julho vão também ser interrompidas as audiências gerais que decorrem às quartas-feiras na Praça de S. Pedro.