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quarta-feira, 8 de julho de 2020

Leitura do dia: Amanhã colherás o que hoje semeaste

O Evangelho é, antes de tudo, uma revolução no coração. Jesus descreveu o seu efeito não como repentino ou dramático, mas à imagem dos processos ocultos de fermento, sal e luz, como semear sementes cujas colheitas talvez não possamos ver. Os profetas eram raramente reconhecidos no seu próprio tempo, mas a sua coragem e fidelidade construíram um futuro para as gerações posteriores. A mudança real é o resultado da virtude comum ao longo do tempo, investimentos constantes que produzem retornos alimentados com paciência e disciplina.

Quem é mais feliz? Aquele que ergue muros, ou aquele que deseja a partilha?

Vivemos num tempo de incúria das palavras, no qual abundam neologismos eufemísticos: fala-se de «guerra preventiva» para definir a agressão militar; recorre-se ao termo «flexibilidade» para falar de desemprego ou despedimento. Mais do que nunca há necessidade de filologia, isto é, de amor pelas palavras; ou também, para o dizer com outra metáfora, de ecologia da linguagem. A esta sorte não escapa sequer um termo que muitas vezes ouvimos ressoar: «Conviver/com-vivência». Na linguagem comum, é agora sinónimo quase unicamente de coabitação entre pessoas não casadas. Que empobrecimento!