sexta-feira, 31 de julho de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Sex, 31 – Santo Inácio de Loiola (Memória)


Não é Ele o filho do carpinteiro? (Evangelho)

As pessoas da terra de Jesus, em vez de rejubilarem com o facto de um conterrâneo seu ter grande sabedoria e fazer milagres, ficaram escandalizadas porque ele era filho de um carpinteiro. Nós, em Portugal, também temos uma expressão parecida, quando não queremos ouvir umas verdades sobre nós próprios. Dizemos: «Mas que é ele (ou ela) para me vir agora com estas coisas?» Querido leitor, hoje reze pelo seu discernimento e humildade.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Qui, 30 – Semana XVII do Tempo Comum

Jer 18, 1-6 / Slm 145 (146), 2abc.2d-4.5-6 / Mt 13, 47- 53

Feliz o homem que tem por auxílio o Deus de Jacob. (Salmo)

Deus auxilia-nos sempre que nós pedimos. Pode é demorar muito tempo. Mas não devemos desistir de pedir. E usar todos os meios. Se pedirmos com força, Deus ajuda-nos com força. E aquilo em que Deus nos ajuda mais é na vinda do Espírito Santo sobre nós. Mas Deus também nos dá força. Muita força. É essa a minha experiência. Deus e Nossa Senhora. Como já disse ao leitor há uns dias, Nossa Senhora é uma intercessora poderosíssima. O leitor peça-lhe forças.

A PANDEMIA E OS MAIS VELHOS


Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.
(...)
Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.
(...)
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.
O que Jesus nos diz é:
"Também tu podes nascer",
pois nós nascemos, nascemos, nascemos.

(José Tolentino de Mendonça)

       São os mais velhos as principais vítimas da COVID 19 e esse facto veio trazer ao de cima um problema existente...  nomeadamente aqueles que estão ”confinados” em lares, impedidos, face aos riscos de contaminação, de receber visitas dos seus familiares. Ainda mais sós, portanto. Mas também todos os outros que subitamente, quase que em sobressalto, passaram a fazer parte desta enorme categoria sanitária/sociológica de grupo de risco. Subitamente bloqueados, pelo dever de proteção, neste gigantesco bloco catalogado de quase intocáveis.

   Estes tempos alertam-nos para o facto de termos de refletir seriamente sobre as condições de vida e de participação dos mais velhos. Sobre o que é ser “mais velho”.  Os velhos não são para “deitar fora” porque já não são úteis na denominada vida ativa. Os velhos “nascem dentro de si e no coração de Deus”. Os mandamentos alertam-nos para que devemos “honrar pai e mãe”, temos o dever de proteção

  Será que os honramos remetendo-os a depósitos onde não há convivência entre gerações, onde deixam de poder ser ativos, meros “utentes” de instituições? Será que os honramos colocando-os num grupo artificialmente homogéneo dos que “chegaram ao fim da vida” e já não têm forma de participar e contribuir para o bem estar da sociedade a que pertencem? 

  A mais recente classificação etária da OMS (Organização Mundial da Saúde) apresenta uma nova abordagem à 3ª idade: Considera a fase dos 66-79 como “meia idade”, os idosos são aqueles que se situam entre 80 e os 99, e os “idosos de longa vida” são os que ultrapassam a meta dos 100 anos. Esta classificação demonstra-nos que a referida “meia idade” é uma idade bem ativa e que, infelizmente, tem sido ignorada. Muitas pessoas desta idade continuam ativas nos diversos sectores da sociedade (que lhes são consentidos), nomeadamente em importantes atividades de voluntariado; tantas fazem trabalho invisível (de que é exemplo os cuidados que prestam a familiares), mas a tantas é negada a possibilidade de continuar a participar ativamente na sociedade; ninguém pode ser “desperdiçado”. Todos são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. É urgente pensarmos nesta ordem de questões e encontrar alternativas. Para que um dia o nosso coração culpabilizado não se sobressalte.

Aqueles que se situam entre os 80 e 99 anos e, mesmo acima dos 100 anos, os realmente “idosos”, têm o direito de levar um fim de vida feliz e em plenitude sem se sentirem culpabilizados por dar trabalho às gerações mais novas. Mas todos, estes e os da “meia idade”, são cidadãos de pleno direito, com direitos e com deveres, com responsabilidades na construção da casa comum. Este papel, não pode nem deve ser retirado, sob pena de ficarmos coletivamente mais pobres.

Temos de pensar em alternativas e já há conhecimento de experiências bem interessantes que vão sendo postas em prática um pouco por todo o mundo. Soluções mais humanizadas de combate ao isolamento que, numa perspetiva inter-geracional,  permitem que jovens estudantes, a troco de alojamento, acompanhem os mais velhos que assim permanecem na sua casa; ou construção de unidades residenciais autónomas, onde as comuns atividades do quotidiano são garantidas: alimentação, saúde, lazer, etc. Soluções mais integradoras na vida ativa, pela diversificação de postos de trabalho e de novas áreas e perfis funcionais, pelo desdobramento de horários de trabalho. Os mais velhos são muito diversos e as políticas públicas têm que o contemplar. Desde a  garantia de um número suficiente de unidades de cuidados continuados e paliativos que garantam um final de vida digno para os mais velhos, a reformas/pensões suficientes e justas que permitam autonomia de vida, a modelos concretos organizativos que possibilitem a sua participação ativa . É preciso pensar noutros termos  de forma a não excluir os mais velhos.

Estejamos atentos aos mais velhos e digamos, ao jeito de Jesus: “também tu podes nascer”. São cidadãos de parte inteira como nós. Têm o direito a ter voz e a dizer-nos como querem viver os últimos anos da sua vida. A eles devemos quem somos hoje. Deixemos que eles nos digam: “Nós nascemos, nascemos, nascemos”. E respondamos a esta sua interpelação.

                               Lisboa, 27 de julho de 2020
                         A Comissão Nacional Justiça e Paz

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Dois tipos de graças “aparentemente pequenas”, mas pelas quais Deus nos salva

“Se ouvirmos a voz de Deus quando nos inspira uma mortificação em determinadas circunstâncias, veremos grandes frutos de santidade em nós”

São Cláudio de la Colombière, em seu “Diário Espiritual”, afirma que a graça de Deus é
.
Ele prossegue afirmando que há dois tipos de graças, aparentemente pequenas,
- Uma é a luz que nos revela uma verdade: devemos acolhê-la cuidadosamente e cuidar de que não se extinga por nossa culpa; devemos utilizá-la como regra em todas as nossas ações, ver aonde nos leva etc.
- Outra é o movimento que nos leva a fazer determinada ação virtuosa numa ou noutra ocasião; devemos ser fiéis a estes movimentos, porque tal fidelidade é, por vezes, o núcleo da nossa felicidade.
E conclui:
“Se ouvirmos a voz de Deus quando nos inspira uma mortificação em determinadas circunstâncias, veremos grandes frutos de santidade em nós; pelo contrário, o desprezo desta pequena graça poderia ter consequências funestas, como acontece aos favoritos caídos em desgraça por serem complacentes em coisas pequenas”.

MEDITAÇÃO DIÁRIA Qua, 29 – Santa Marta (Memória)

Jer 15, 10.16-21 / Slm 58 (59), 2-3.4-5a.10-11.17 / Mt 13, 44-46

O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. (…) foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. (Evangelho)

Até hoje, nunca tinha posto a hipótese de a venda de «tudo quanto possuía» ter custado ao negociante. Mas se calhar não foi fácil. A sua cabeça sabia que valia a pena. Mas o seu coração seguiu logo a sua cabeça? Será que era um homem de muito pensar ou de «repentes»? E depois não terá tido pena? Jesus alerta-nos para estas duas tentações: para não hesitarmos e para não olharmos para trás. Peçamos essa graça.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Covid-19: Vaticano lança campanha de abraços para os mais velhos

«Respeitar o distanciamento não significa aceitar um destino de solidão e de abandono» – Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Cidade do Vaticano, 27 jul 2020 (Ecclesia) – O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé) lançou hoje uma campanha de abraços, físicos e virtuais, para os mais velhos, inspirado pela intervenção do Papa, este domingo, sobre o Dia dos Avós.

“É possível vencer o isolamento dos idosos também respeitando rigorosamente as normas de saúde em matéria de Covid-19. A pandemia atingiu particularmente os idosos e debilitou os já fracos vínculos entre as gerações, mas respeitar o distanciamento não significa aceitar um destino de solidão e de abandono”, assinala um comunicado do organismo da Cúria Romana, enviado à Agência ECCLESIA.

A campanha “Cada idoso é teu avô” convida os jovens de todo o mundo a fazer “um gesto de ternura para com os idosos que se sentem sozinhos”.

A nota destaca os testemunhos que chegam de várias comunidades católicas, que multiplicaram contactos telefónicos, via web, redes sociais – “até serenatas para os hóspedes das casas de repouso” – realizados por jovens, para impedir a solidão de muitas pessoas forçadas pela pandemia a permanecer em suas casas ou fechadas em lares.

Nesta fase da campanha, para respeitar as normas sanitárias em vigor nos diferentes países, o convite é o de “reunir virtualmente os idosos mais solitários do bairro ou da paróquia e enviar-lhes um abraço, como o Papa pediu, por meio de uma ligação telefónica, uma videochamada ou uma imagem”.

“Onde for possível – ou quando a emergência sanitária permitir -, convidamos os jovens a tornar o abraço ainda mais concreto, indo ao encontro dos idosos pessoalmente”, acrescenta o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

A iniciativa tem associada a hashtag #sendyourhug e os posts mais significativos vão ser divulgados nas contas de redes sociais do organismo do Vaticano, @laityfamilylifedisse.

Este domingo, o Papa assinalou o Dia dos Avós, na memória litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, pedindo atenção especial aos mais velhos, particularmente atingidos pela pandemia.

“Caros jovens, cada um destes idosos é vosso avô, não os deixem sós. Usai a fantasia do amor- telefonemas, videochamadas, mensagens-, escutai-os e, onde for possível – no respeito pelas normas sanitárias –, visitai-os. Enviai-lhes um abraço, eles são as vossas raízes”,

OC 

MEDITAÇÃO DIÁRIA Ter, 28 – Semana XVII do Tempo Comum

Jer 14, 17-22 / Slm 78 (79), 8.9.11.13. / Mt 13, 36-43

Aquele que semeia a boa semente é o filho do homem. (Evangelho)

Jesus lança a boa semente e, por sua vez, nós também lançamos. Nós não lançamos os filhos do Reino, como Jesus faz, mas lançamos sementes do Reino na nossa relação uns com os outros. Essas relações não podem ser ao calhas e ao sabor do nosso apetecer momentâneo. Têm de ser relações a pensar no outro. Por exemplo, tenho visto pessoas estarem mal numa refeição por estarem com uma educação excessiva para aquele ambiente, assim como a situação contrária. Hoje peçamos a Deus o dom da empatia.

segunda-feira, 27 de julho de 2020



MEDITAÇÃO DIÁRIA Seg, 27 – Semana XVII do Tempo Comum

Jer 13, 1-11 / Deut 32, 18-19.20.21 / Mt 13, 31-35

Sendo a menor de todas as sementes, depois (...) é a maior de todas as hortaliças. (Evangelho)

O reino dos Céus tem pequenos começos. Um escritor desconhecido que está a escrever uma obra-prima. Um pequeno gesto que salvou uma vida. Uma canção que deu sentido à vida de milhares de pessoas. Também as nossas vidas estão cheias de momentos mínimos que nos enchem infinitamente ou que nos deixam uma sede imensa de infinito. Mas o momento mais belo é aquele momento minúsculo em que encontramos Deus…

domingo, 26 de julho de 2020

Portugal: Igreja Católica assinala Dia dos avós

«Sociedade que não protege, não cuida, não admira os mais velhos, está condenada ao fracasso», alertam bispos
Lisboa, 25 jul 2020 (Ecclesia) – A Igreja Católica vai promover celebrações e iniciativas culturais para assinalar o Dia dos Avós, na festa litúrgica de São Joaquim e de Santa Ana, os avós de Jesus, este domingo, destacando a importância de respeitar os mais velhos.

“Uma sociedade que não protege, não cuida, não admira os mais velhos, está condenada ao fracasso”, afirma a Comissão Episcopal do Laicado e da Família, da Conferência Episcopal Portuguesa, na mensagem para o Dia dos Avós 2020.

Os bispos católicos salientam que o Dia dos Avós “é uma oportunidade para dar graças, abraçar e celebrar a presença dos avós no passado e no presente, ir às próprias raízes e descobrir neles a ternura e o amor de Deus”.

A Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF) convida a sociedade a celebrar o “tesouro” que os avós representam, em particular perante a atual pandemia.

“Neste tempo que vivemos, precisamos de o dizer de forma clara, de o defender de forma assertiva. E os tesouros são protegidos, tocados com cuidado e admiração. Uma sociedade que não protege, não cuida, não admira os mais velhos, está condenada ao fracasso”, refere o organismo episcopal.

A CELF destaca a importância do “testemunho concreto e real de outros tempos, tantas vezes marcados por dificuldades, lutas e carências”.

“Talvez sintamos a vontade de correr para os braços de um avô velhinho, de uma avó sozinha. Ou de rezar por quem já partiu. Ou de contar a um filho, a uma neta, a história dos avós, dos bisavós, de todos os que nos deram a vida”, acrescenta a mensagem.
"O dia dos avós é uma oportunidade para dar graças, abraçar e celebrar a presença dos avós no passado e no presente, ir às próprias raízes e descobrir neles a ternura e o amor de Deus”.
Na Diocese da Guarda, a festa litúrgica de São Joaquim e de Santa Ana, pais de Nossa Senhora e avós de Jesus, vai ser celebrada em Seia, numa iniciativa do Departamento Diocesano da Pastoral da Família, a partir das 10h30, na igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Para além da Eucaristia, com a participação do Grupo Coral Nossa Senhora da Assunção de Seia, vai ser divulgada a mensagem de D. Manuel Felício para o Dia dos Avós, onde assinala que os avós “são chamados a desempenhar “no crescimento e na educação dos netos”.

“Educar bem uma criança, um adolescente ou um jovem não pode consistir apenas em lhes apresentar códigos de conduta, implica compreender e assimilar valores essenciais em ordem a uma vida equilibrada e com projeto”, observa.

O Santuário de Fátima convida todos os avós a “consagrarem-se a Nossa Senhora”, este domingo, no final da Missa das 11h00, no Recinto de Oração na Cova da Iria.

A Irmandade dos Clérigos, na Diocese do Porto, desafia avós e netos a descobrirem a sua torre e museu numa visita onde as duas gerações “podem experienciar e partilhar conhecimentos”, às 10h30 e às 17h00, deste domingo.

Em Santarém, o Museu Diocesano “associa-se às comemorações do Dia dos Avós – Dia de São Joaquim e Santa Ana”e aos 100 anos do nascimento de Amália Rodrigues com “um belo final de tarde com fados”

A iniciativa ‘Fado no Pátio’ conta com “os amigos fadistas: Natália Ferreira e José Neves, acompanhados na guitarra portuguesa e na viola, por Diogo Ferreira e Rui Girão, respetivamente”, entre as 16h30 e as 18h30, deste domingo, com lotação limitada, “para garantia da segurança entre todos os participantes” e os lugares podem ser reservados ( telefone 243304065 ou email geral@museudiocesanodesantarem.pt).

CB/OC

A Associação Famílias incentiva que se aproveite o ‘Dia Nacional dos Avós para “exigir um maior respeito, atenção e carinho”, assinalando que atual situação pandémica realçou aspetos que merecem “séria reflexão”, lembrando que este dia é comemorado em Portugal por decisão do Parlamento aprovada a 22 de maio de 2003.

MEDITAÇÃO DIÁRIA Dom, 26 – Domingo XVII do Tempo Comum – Ano A

1 Rs 3, 5.7-12 / Slm 118 (119), 57.72.76-77.127-130 / Rom 8, 28-30 / Mt 13, 44-52

O primeiro livro dos Reis apresenta-nos um personagem central na história de Israel: o rei Salomão, que sucedeu a seu pai David. O seu nome significa «paz», «prosperidade», e é citado cerca de 300 vezes no Antigo Testamento. No início da sua governação, Deus apareceu-lhe em sonhos e convidou-o a exprimir um desejo, com a garantia de que lhe concederia o que pretendia: «Dai ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para discernir o bem do mal». Deus mostrou-Se muito agradado com este tipo de pedido, solícito pelo bem do seu povo, sem pensar em lucros pessoais, como seriam riquezas e vitórias sobre os inimigos. O Senhor lhe concedeu em abundância o que pedia, a ponto de se tornar proverbial a sabedoria de Salomão.

Esta prece é um modelo para as nossas orações. Ultrapassemos as pequenas coisas que nos preocupam, centrados em nós mesmos, e abramos o nosso coração às grandes intenções da Igreja e da família humana.

S. Paulo recorda-nos uma verdade que nos enche de consolação e esperança: «Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam». Ou seja, não nos devemos preocupar com que tudo corra fácil e segundo os nossos gostos. Devemos antes ocupar-nos em amar a Deus, «com toda a alma, com todo o coração e com todas as forças». Tudo o mais virá por acréscimo. Este amor fundamental é que nos dá força para ultrapassar obstáculos e dificuldades. Só este amor de Deus é que nos torna vencedores, aconteça o que acontecer, e nos salva.

Com as suas parábolas, Jesus exorta-nos a saber arriscar tudo pelo precioso tesouro que é o reino de Deus, a Boa Nova da salvação. A tentação comum é querer ter tudo, sem nos desfazermos de nada. Algo como alguém querer ganhar um alto prémio na lotaria, mas sem arriscar a compra de um bilhete. É preciso saber investir, perdendo para depois poder ganhar. É a lei que Jesus nos deixa no Evangelho.

O progresso humano e espiritual, que Deus nos pede, pode ser visto sob esta perspetiva: de que devo libertar-me para alcançar uma felicidade mais plena? De que preciso despojar--me para alcançar uma liberdade maior, um amor mais puro, uma melhor capacidade de fazer o bem? Não se trata de perder bens e energias, mas de investir numa melhor qualidade de vida pessoal e apostólica.

sábado, 25 de julho de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Sáb, 25 – S. Tiago, Apóstolo (Festa)

2 Cor 4, 7-15 / Slm 125 (126), 1-2ab.2cd-3.4-5.6 / Mt 20, 20-28

Os grandes fazem sentir sobre elas [as suas nações] o seu poder. (Evangelho)

Os interesses das nações mais poderosas da Terra e das farmacêuticas que estão a pensar comercializar a vacina contra a covid-19 podem levar a que os pobres (miseráveis?) dos países com poucos recursos saiam muito prejudicados na distribuição da vacina. Para que eles fossem contemplados, talvez se pudesse ter critérios mais evangélicos na distribuição da vacina. Mas quem é que está disposto a abdicar dos privilégios do seu país poderoso ou dos seus lucros para que uns miseráveis tenham a vacina?

sexta-feira, 24 de julho de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Sex, 24 – Semana XVI do Tempo Comum

Jer 3, 14-17 / Jer 31, 10.11-12ab.13 / Mt 13, 18-23

Quando um homem ouve a palavra do Reino e não a compreende vem o Maligno. (Evangelho)

Este compreender é um compreender com o coração. Não compreender é não acolher. Mas acolher pode só querer dizer ter a palavra do Reino dentro de nós, como que adormecida, até que chega um dia e aquela palavra acorda e atua em nós. Ou nós atuamos ao som dela. Pode demorar uns dias ou anos, ou mesmo muitos anos. Pode implicar um grande empurrão de Deus. O importante é que foi uma palavra que começámos por compreender.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Qui, 23 – Santa Brígida (Festa)

Gal 2, 19-20 / Slm 33 (34), 2-11 / Jo 15, 1-8

A glória de meu Pai é que deis muito fruto. (Evangelho)

O leitor dá muito fruto? Glorifica a Deus? Dar glória a Deus é, por exemplo, ser rigoroso ao mesmo tempo que se é generoso. Li num jornal que um dos mais importantes administradores de empresas do mundo reservava na sua agenda diária duas horas para imprevistos. Em meu entender, isto é um exemplo de generosidade e rigor. Está ao dispor – naturalmente, de coisas muito importantes que lhe apareçam – e já as tem previstas de antemão. Hoje em dia, dizer-se que se está sempre a correr dá «status». Quem não diz que trabalha muito é mal visto. Mas trabalhar muito não é um fruto do reino dos Céus.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

OXALÁ APRENDÊSSEMOS DE MARIA MADALENA A ARTE DE CORRER


No dia 3 de junho de 2016, por pedido expresso do Papa Francisco, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos decretou que a celebração de Santa Maria Madalena seria elevada no Calendário romano geral de memória obrigatória a festa. Apesar dos cochichos sobre quem era esta mulher e o quanto se gosta de indagar sobre a sua possível profissão, o documento ousa chamá-la algo muito mais interessante: apostola apostolorum. O que é que isto quer dizer? Quais são as implicações desta frase enigmática que apesar de estar em latim nos pode soar a chinês? Que podemos aprender de Santa Maria Madalena sobre o que significa ser apóstolo em geral e membro desta rede mundial de apóstolos da oração em particular?

No princípio era o Verbo [sem corretor automático]

Há uma coisa que me deixa triste. Se escrevermos a palavra apóstola no Microsoft Word, o corretor automático não tarda em sublinhar a palavra como errada. Não inventei este argumento para comprar simpatias. São Gregório Magno, Papa do final do século VI, descreveu Maria Madalena como a primeira testemunha da divina misericórdia (Homiliae in evangelia, 11, 25, 10). Ora, quando uma testemunha ocular do ministério de Cristo e da sua Ressurreição é instruída diretamente por Cristo a anunciar legitimamente a boa nova da ressurreição (cf. Atos 1, 15-26; 1 Coríntios 9, 1-2; 15, 7-8; 2 Coríntios 12, 12; Gálatas 1) então podemos chamar-lhe de apóstolo em pleno direito. Neste sentido, São Tomás de Aquino afirmou com toda a legitimidade que Maria Madalena era a apóstola dos apóstolos (In Ioannem evangelistam expositio, III, 6). Ainda bem que naquele tempo ainda não havia corretor automático…

Recordemos aqui a cena evangélica de que estamos a falar (Jo 20, 1-18). O Senhor Jesus, após a sua morte e sepultura, não se encontrava no túmulo. Ao dar-se conta da ausência do seu corpo no sepulcro estranhamente aberto, Maria Madalena correu a dizer a Pedro e ao discípulo amado que o corpo do Senhor desaparecera. Ambos correm até ao sepulcro. Pedro e o discípulo amado regressam e fica apenas Maria, ao pé do sepulcro, a chorar o seu Senhor. A cena continua. Depois de conversar com uns anjos, Maria é encontrada pelo ressuscitado mas não O reconhece. Volta-se para Ele e, pensando que era o jardineiro, pergunta-lhe onde colocou o corpo daquele que ali estava sepultado. Depois de uns instantes de conversa, o aparente jardineiro chama Maria pelo seu nome. Reconhecendo o timbre ressuscitado de Cristo, Maria volta-se de novo para Ele e deixa-se enviar novamente aos discípulos. Corre e diz-lhe: Vi o Senhor!

Habitualmente, os estudiosos da Sagrada Escritura chamam à atenção para a repetição do termo ‘voltar-se’. Maria volta-se duas vezes para Jesus. Esta repetição parece evocar a de uma conversão progressiva do olhar até se tornar capaz de reconhecer quem era Aquele que lhe dizia: “Mulher, porque choras? (…) Maria! (…) Não me toques, porque ainda não subi para o Pai. Mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: subo para o meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. Em paralelo com esta afirmação exegética, sobre a função da repetição da palavra ‘voltar-se’, gostava de chamar à atenção para os dois modos de correr de Maria.

Sobre dois modos de correr

Neste capitulo 20 de São João, Maria é apresentada duas vezes em movimento desde o sepulcro; uma no v. 2 e outra no v. 18. Na primeira afirma-se claramente que ela corre, já na segunda a afirmação não é explícita mas a sua ocorrência é muito plausível. Qual de nós, sendo visitado por alguém que ressuscitou dos mortos e nos envia a ir anunciar este acontecimento, sai de passo lento e ponderado? Visitada de modo tão surpreendente, não pode ser sem alguma velocidade que interpretamos a expressão: “Maria Madalena foi”.

Ora, gostava agora que focássemos a atenção sobre a palavra ‘correr’ usada no versículo 2 e o termo ‘vai’ dito por Jesus no versículo 17 ao enviar Maria à sua nova corrida. Por um lado, a palavra ‘correr’ aparece no original grego (τρέχει) como um verbo no presente do indicativo ativo. Trata-se portanto de um ato que começa e termina no sujeito, toda a atividade depende de Maria e está centrada nela. Maria não sabe onde está o corpo de Jesus, desespera e corre. A ação começa e termina na sua pessoa, nas suas questões e desejos individuais. Por outro lado, o imperativo de Jesus a Maria Madalena – ‘vai’ – aparece no original grego (πορεύου) com uma forma gramatical que nos pode soar muito estranha. Trata-se de um verbo no presente imperativo da voz média. Voz média? Que vem a ser a voz média?

A voz média é um resquício muito antigo das línguas indo-europeias que se conservou no grego clássico – no qual está escrito o Novo Testamento. Trata-se de uma das três vozes (ativa, média e passiva) cujo significado tem uma grande riqueza, de difícil tradução para as nossas línguas modernas. Comecemos por dizer que a voz passiva (ex. ‘um livro foi comprado pelo João’ em vez da forma ativa ‘o João comprou um livro’) é uma formulação muito tardia nas línguas indo-europeias. Mais ainda, de acordo com os estudos linguísticos de Jean Humbert na sua Syntaxe Grecque (1963), sabemos que a voz passiva se desenvolveu com base na voz média, tendo causado o seu progressivo desaparecimento. Portanto, mantém-se a pergunta, em que consiste a voz média? Pode ela ajudar-nos a compreender as palavras de Jesus e a missão de Maria?

O fabuloso destino da voz média e a missão de apóstola de Maria Madalena

Cada voz tem um destino. A voz ativa destina-se a colocar o centro no sujeito, a voz passiva destina-se a dar o centro ao objeto sobre o qual se atua; e a voz média? Para os primeiros gramáticos gregos, a voz média representa uma convergência dos sentidos ativo e passivo, no qual a fala que começa no sujeito entra em relação com outro e a ele retorna. Donde podemos concluir que a voz média destina-se a colocar o enlevo na relação iniciada pelo sujeito com o sujeito ao qual se dirige. Sim, desenha-se como uma relação de sujeitos que, sob a iniciativa de um, estão em colaboração.

Torna-se, portanto, digno de muita atenção olhar com cuidado para este imperativo do Senhor: ‘ide’. Jesus manda mas manda como quem pede. Manda pedindo colaboração, envia uma pessoa livre que não corre por ativismo ou coação. A missão nasce do encontro pessoal que a autoriza, que a torna também coautora do Evangelho. O mandato de Cristo a Maria Madalena não se dá num tipo de relação instrumental – preciso de trabalhadores para a minha causa – mas de amor cooperativo. Há muita mais poesia nesta formulação, há mais frescura evangélica neste modo de ler o envio do Senhor Jesus para a missão.

Eventualmente a separação gramatical ativo-passivo fez-nos gerar uma linguagem espiritual que nos caracterizava a nós como instrumentos nas mãos do Senhor. Nada há de necessariamente errado nesta linguagem, mas pode correr o risco de nos tornar em realidades passivas quando o Senhor deseja convidar-nos à missão mediante o exercício da nossa liberdade e não apenas das nossas capacidades executivas. Neste sentido, o envio apostólico de Maria Madalena pode despontar como um modo de reaprendermos três coisas:

1. Todos os batizados, e não apenas os religiosos ou membros do ministério ordenado, receberam a tradição apostólica em virtude de uma relação pessoal e comunitária com Jesus Cristo no Espírito Santo;

2. Se nos queixamos como Igreja que os cristãos têm pouco espírito missionário não devemos olhar para as causas na falta de ativismo ou na ausência de passividade diante dos movimentos do Espírito, mas para a necessidade de renovarmos o exercício do nosso encontro pessoal com Cristo que deseja encontrar-se com cada pessoa sem violentar a sua liberdade;

3. Se sentimos que na nossa vida há pouco lugar para os outros, para os irmãos, para os pobres e para os excluídos, renovemos o nosso desejo de encontro com Cristo e isso determinará tudo. Oxalá aprendêssemos de Maria Madalena a arte de correr…

Miguel Pedro Melo, sj

Covid-19: Bispo partilha em livro experiência pessoal de sofrimento, fé e esperança

«Gostei sempre muito de uma pungente recolha de dez poesias, escritas por Cesare Pavese entre 11 de março e 10 de abril de 1950. Intitula-se “Virá a morte e terá os teus olhos”. Hoje, pensando naquilo que vivi e no quanto desejo fazer, animado por um premente sentido de restituição, posso, por minha vez, dizer: “Virá a vida e terá os seus olhos”, incluindo nesse olhar Deus, que esteve junto de mim, e todos aqueles a que conseguirei chegar com a minha pobre voz.»

. MEDITAÇÃO DIÁRIA Qua, 22 – Santa Maria Madalena (Festa)

Cant 3, 1-4 ou 2 Cor 5, 14-17 / Slm 62 (63), 2.3-4.5-6.8-9 / Jo 20, 1.11-18
Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. (1ª Leitura)

S. Paulo falava para convertidos. Muitos de nós, somos católicos desde o berço, mais concretamente desde o nosso batismo – assumindo que ele foi feito em bebé. Portanto, já somos «novas criaturas» desde pequenos. A partir daí, temos o nosso caminhar na vida da graça, com os normais tropeções, que, se forem bem aproveitados, nos fazem andar mais depressa. (Uma pessoa, quando tropeça, dá um passo mais rápido.) Quer dizer, um tropeção deve levar-nos mais para junto de Deus. Hoje proponho ao leitor que analise o ultimo «tropeção» que deu.

terça-feira, 21 de julho de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Ter, 21 – Semana XVI do Tempo Comum

Miq 7, 14-15.18-20 / Slm 84 (85), 2-4.5-6.7-8 / Mt 12, 46-50

Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe. (Evangelho)

Jesus tem uma grande família, constituída por todos os que fazem o Reino, por todos os que fazem a sua vontade. Não entramos ou saímos da família de Jesus consoante fazemos a sua vontade. Somos da família de Jesus por normalmente fazermos a sua vontade. Em cada momento, fazer a vontade de Jesus é amar. Normalmente, não andamos sempre a pensar nisso. Mas, por exemplo, estacionar o carro de maneira a não perturbar o trânsito. O leitor já pensou nisso?

segunda-feira, 20 de julho de 2020


MEDITAÇÃO DIÁRIA Seg, 20 – Semana XVI do Tempo Comum

Miq 6, 1-4.6-8 / Slm 49 (50), 5-6.8-9.16bc-17.21.23 / Mt 12, 38-42

Mestre, queremos ver um sinal da tua parte. (Evangelho)

Às vezes, as alturas de muito sofrimento cegam-nos e, tal como o cisne, enterramos a cabeça, até ao pescoço, dentro das nossas penas. Queríamos ver algum sinal. Alguma luzinha ao fundo do túnel. Parece que Deus nos abandonou. Depois, à medida que vamos avançando ao longo do túnel, a luzinha vai aparecendo. O segredo é nunca deixarmos de andar pelo túnel fora. Mas se nos mantivermos com a cabeça enterrada nas penas, ficamos isolados de tudo, não podemos ver nem ouvir a Deus. Hoje o leitor peça a graça de enfrentar o sofrimento de alma aberta a Deus.