sábado, 11 de abril de 2020

Paróquia de Colares Páscoa 2020

Sábado Santo: Um grande silêncio reina sobre a terra

No Sábado Santo, um grande silêncio reina sobre a terra porque o Rei está dormindo
Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a Terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei está dormindo; a Terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito Homem adormeceu e acordou os que dormiam havia séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.
Representação iconográfica de Cristo que, descendo aos infernos, resgata, a partir de Adão e Eva
todos os justos que esperavam a redenção – Foto: fidesecclesiae
Ele vai, antes de tudo, à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos e, agora, libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: ““O meu Senhor está no meio de nós””. E Cristo respondeu a Adão: ““E com teu espírito””. E tomando-o pela mão, disse: ““Acorda, tu que dormes, levante dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: “Saí!”; e aos que jaziam nas trevas: “Vinde para a luz!”; e aos entorpecidos: “Levantai-vos!”

Deus quer acordar todos os seus filhos que estão nas trevas da morte
Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te, obra de minhas mãos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo.Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à Terra, e fui mesmo sepultado abaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.
Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi; para restituir-te o sopro da vida original. Vê nas minhas faces as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, a tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar dos teus ombros os pesos dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente tuas mãos para a árvore do paraíso. Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava voltada contra ti.
Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus. Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, constituído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.”

De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo (séc IV), de um autor grego desconhecido – Da Liturgia das Horas – II leitura do Sábado Santo

MEDITAÇÃO DIÁRIA Sáb, 11 – Sábado Santo – Solene Vigília Pascal (Ano A)

Apresentamos as leituras do Novo Testamento: Rm 6, 3-11 / Mt 28, 1-10

Estamos em Sábado Santo, na vigília da Páscoa de Cristo, que Santo Agostinho apelidou de «a Mãe de todas as demais vigílias», pois nela aguardamos a nossa libertação com a ressurreição de Cristo. Na noite da morte, resplandece a luz da vitória de Cristo que vence a morte e ressuscita glorioso.

A liturgia põe em relevo o Batismo. Desde tempos antigos, são batizados nesta vigília os catecúmenos e os batizados renovam as promessas do seu Batismo. É a vida nova que Cristo nos traz: tendo morrido para o pecado, ressuscitamos para a vida nova da graça. Por isso, São Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, recorda que «fomos sepultados com Cristo, pelo Batismo, na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova». Morrer para o pecado e ressuscitar para a graça é um exercício quotidiano que nos cabe fazer, vencendo o egoísmo do nosso «homem velho» e ressuscitando no amor de Cristo.

O evangelista Mateus é quem nos dá mais pormenores sobre a ressurreição de Cristo, acontecimento de fé que ultrapassa os controlos humanos, como o dos guardas que as autoridades puseram no sepulcro, como vigia e defesa. Maria Madalena e a outra Maria, que Mateus nos apresenta, são testemunhas como que imediatas da vitória de Cristo sobre a morte. Perante o túmulo vazio, apresentado pelo Anjo, acreditam para além do que veem e recebem a missão de levar a boa nova de Cristo Ressuscitado aos discípulos, apressadamente, com grande alegria. Já a caminho de comunicar esta alegre notícia, tiveram a experiência do encontro com o Ressuscitado, recebendo o seu abraço e prostrando-se em adoração. Também nós precisamos de encontrar pessoalmente a Cristo para O podermos comunicar àqueles a quem somos enviados.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Informação do Prior



MEDITAÇÃO DIÁRIA Sex, 10 – Sexta-Feira Santa

Is 52, 13 – 53, 12 / Slm 30 (31), 2.6.12-13.15-17.25 / Heb 4, 14-16; 5, 7-9 / Jo 18, 1 – 19, 42

Segundo uma antiquíssima tradição da Igreja, neste dia não se celebra a Eucaristia, mas venera-se, com profunda gratidão, a morte redentora de Cristo. É um clima de luto, despido de flores e ornamentos, vivido cheio de reconhecimento e esperança.

O profeta Isaías apresenta-nos o «Servo do Senhor», sofrendo os horrores da paixão e morte, como generosíssimo preço com que nos resgatou para a salvação: «ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores»; «ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores»; «pelas suas chagas fomos curados». Que maravilhoso retrato do nosso Deus!

O autor da Carta aos Hebreus apresenta-nos a verdadeira imagem de Deus, sensível ao que se passa nas nossas vidas, com uma imensa capacidade de compaixão das nossas fraquezas, consequente à experiência humana de Jesus, que foi provado em tudo até à morte na cruz. Esta verdade deve encher-nos de confiança e esperança na nossa relação com Deus. Como ninguém, Ele nos pode e quer compreender e ajudar.

A longa narração da paixão de Jesus, que o Evangelho de João nos apresenta, faz parte da nossa história. É que a entrega da vida de Cristo até ao fim tem uma dedicatória pessoal para cada um de nós, salvos pela sua cruz. Assim, em Sexta-Feira Santa cumprimos o rito da adoração da cruz, instrumento com o qual Cristo nos salvou. A cruz do calvário é a prova real do imenso amor que Deus tem por nós.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Qui, 9 – Quinta-Feira Santa – Ceia do Senhor

Ex 12, 1-8.11-14 / Slm 115 (116), 12-13.15-18 / 1 Cor 11, 23-26 / Jo 13, 1-15

Com a celebração da Ceia do Senhor, iniciamos o solene Tríduo Pascal. Revivemos a última ceia de Jesus com os apóstolos, que foi a primeira Eucaristia.

A leitura do livro do Êxodo descreve o ritual da ceia pascal, revivendo a libertação do povo de Israel da escravatura no Egito. Cristo é o «cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo». A imagem do cordeiro passa a realidade em Cristo que, com a oferta da sua vida, nos liberta da morte. Sempre que participamos numa Eucaristia devemos reviver, profundamente agradecidos, a história da nossa libertação salvadora por Jesus Cristo.

Esta passagem da 1ª carta de São Paulo aos cristãos de Corinto é a mais antiga narração da instituição da Eucaristia. Neste sacramento, sinal eficaz da graça de Deus, Jesus cumpre o que prometeu: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). O Cristo histórico prolonga-Se e atualiza-Se no Cristo eucarístico, com plena identidade e eficácia.

«Fazei isto em memória de Mim!» A Missa, a Eucaristia é muito mais que uma devoção opcional e alternativa. É o cumprimento da vontade explícita de Cristo: Celebrai e participai na Eucaristia. Comungai Aquele que dá a vida por vós!

O Evangelho relata-nos o contexto em que Cristo realizou a instituição da Eucaristia. Feito servo, ajoelhado frente aos apóstolos, lava os pés a todos: a Pedro, seu sucessor, e a Judas, que dentro de horas O ia trair. Na Eucaristia, devemos encontrar sempre a Cristo, que também perante nós como que Se ajoelha, dando-Se a comungar. Em Cristo eucarístico devemos encontrar a inspiração e a força para vivermos ao serviço de todos os que precisam de nós.

- Aviso -

ATENÇÃO
Alteração das Cerimónias da Semana Santa a transmitir em direto da Igreja Matriz, no FACEBOOK da Paróquia de Colares, são as seguintes:

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Mensagem do Prior de Colares - Páscoa 2020




Paróquia de Nossa Senhora da Assunção - Colares
Páscoa 2020

“É em tua casa que quero celebrar esta Páscoa” Mt 26, 18.

Aos estimados paroquianos de Colares e a todos os que lerem esta mensagem. Em contexto de pandemia Mundial, estas palavras de Jesus têm mais do que nunca uma atualidade verdadeiramente significativa. Aproxima-se os dias em que nós cristãos celebramos as realidades que mais definem a nossa fé: A Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus, três realidades que formam um único Mistério. O Mistério da entrega de Jesus que por amor nos resgata do pecado e da morte.

Caríssimos, vivemos um tempo de vazio, de distanciamento e de suspensão de tantas coisas que nos são tão caras, mas é neste “esvaziamento”, nesta “suspensão”, que nos encontramos realmente com o mistério da Cruz do Senhor. Esta confiscação da nossa existência humana é a condição vivida, na primeira pessoa por Jesus, por Aquele que foi suspenso na Cruz. São Paulo interpreta a Cruz de Cristo, como um aniquilamento: “Ele que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio” (Fl 2,6-7). O sofrimento assusta-nos mas não fomos abandonados por Deus, pelo contrário, entregou-nos o Seu Filho amado. Deixemos que neste nosso esvaziamento nos encha Cristo, com este abraço que vem da Cruz. Permitamos e queiramos que esta nossa cruz seja glorificada na união com a Cruz de Cristo. Deixemo-nos humildemente converter pelo Amor de Cristo manifestado na Santa Cruz. Unidos a Ele, transformados por Ele, aproveitemos este tempo para santificar esta nossa cruz e assim podermos colher os frutos do amor.

Celebramos em casa a Páscoa do Senhor, mas não sózinhos, pois em Igreja formamos uma comunhão intensa e profunda. No Blog da paróquia bem como nas páginas de Facebook e WhatsApp, encontram um conjunto de prospostas para vivermos a nossa Páscoa, em família ou sós.

Aproveito esta oportunidade para vos informar que ontem a minha madrinha, que vive comigo, foi ao hospital onde lhe fizeram o teste ao novo Coronavirus. Hoje de manhã recebi o resultado que deu positivo. Também eu, embora não tenha sintomas, farei ainda hoje o teste e quando tiver o resultado vo-lo direi. Desde já peço as vossas orações. Entretanto e independentemente do resultado do meu teste, pelo facto da minha madrinha ter o vírus terei que ficar em quarentena. Por essa razão não poderei sair para Celebrar na igreja Paroquial com transmissão direta no Facebook mas unido a todos vós, confiante na infinita Misericórdia de Deus, alegre na Esperança da Ressurreição de Cristo e fundado na Fé da Igreja continuarei a Celebrar todos os dias em casa, a Santa Missa rezando pela saúde do corpo e da alma de todos. Contudo, no Domingo de Páscoa será Celebrado na nossa Paróquia, por outro sacerdote, a Missa às 12h00 com transmissão direta no Facebook da Paróquia de Colares. Como tinha anunciado, darei a Benção com o Santíssimo à nossa Paróquia no Domingo de Páscoa, agora desde a janela da casa Paroquial.

Proponho que sigam as Celebrações da Semana Santa na Sé de Lisboa transmitidas em direto na televisão e pelo site do Patriarcado ou do Santuário de Fátima transmitidas no site do Santuário (links em baixo onde podem também ver os horários das Celebrações). O Tríduo inicia-se com a Missa da Ceia do Senhor, na quinta feira. Segue-se a celebração da Paixão e Morte do Senhor e a Via Sacra na sexta feira, dia de jejum e abstinência. A solene Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias, no sábado com renovação das promessas do nosso batismo e a Missa no Domingo da Ressureição, a Santa Páscoa. Que tudo se faça para maior honra e glória de Deus e pela salvação das almas.

Celebremos pois a Páscoa com renovada alegria, tal como canta um hino da liturgia: ”Troquemos o instante pelo eterno. Sigamos o caminho de Jesus. A primavera vem depois do inverno, a alegria virá depois da Cruz. E como os discípulos de Emaús, possamos dizer com confiança: “Fica connosco Senhor porque anoitece” (Lc 24,29) e como eles, possamos reconhecer o Senhor ao partir o pão. A todos, votos de uma Páscoa Santa e abençoada com o melhor dom que necessitamos: a saúde do corpo e da alma! Invoco sobre todos a benção de Deus!

O Senhor vos abençoe e vos guarde,
Mostre o seu rosto e tenha misericórdia de vós.
Volte para vós o seu olhar e vos dê a paz.

Pe. José António Rebelo da Silva
Pároco de Colares





Proposta de Oração para a comunhão espiritual:

Ó Jesus, vinde e vivei em mim.
Ó meu Jesus, eu creio que Vós estais no Santíssimo Sacramento.
Amo-vos sobre todas as coisas e desejo que venhais à minha alma.
Já que agora não Vos posso receber no Santíssimo Sacramento,
vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração.
Como se já tivésseis vindo, eu vos abraço e me uno a Vós.
Não permitais que eu jamais me separe de vós.

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Santuário de Fátima: https://www.fatima.pt/pt/events/semana-santa-e-triduo-pascal

Papa em entrevista sobre o coronavírus: “Preparem-se para tempos melhores”

Redação da Aleteia | Abr 08, 2020
Em sua primeira entrevista sobre a pandemia de coronavírus, Francisco revela como está vivendo o isolamento, analisa políticas públicas e fala como devemos nos preparar para o “depois” da crise

O Papa Francisco deu sua primeira entrevista sobre a crise mundial provocada pela pandemia do coronavírus. Ele respondeu a algumas perguntas que lhe foram enviadas por e-mail pelo escritor e jornalista britânico Austen Ivereigh.
A entrevista foi publicada nesta quarta-feira, 8 de abril, por quatro veículos: The Tablet (Londres), Commonweal (Nova York), La Civiltà Cattlolica (Roma) e ABC (Espanha)

O Santo Padre começou dizendo como está vivendo o isolamento social no Vaticano:

“Aqui na Casa Santa Marta foram estabelecidos turnos de refeições, [para que não haja aglomerações]. Cada um trabalha de seu escritório ou de seus quartos com as ferramentas digitais. Todo mundo está trabalhando, aqui ninguém fica no ócio. Como eu vivo espiritualmente? Eu rezo mais, porque creio que devo fazer isso, e penso nas pessoas. As pessoas são algo com que eu me preocupo. Pensar nas pessoas me unge, me faz bem, me tira do egoísmo (…). Penso nas minhas responsabilidades de agora e de depois. Qual vai ser meu serviço como Bispo de Roma, como chefe da Igreja? Este depois já começou a mostrar que será um depois trágico, um depois doloroso, por isso convém pensar desde agora. Foi montada uma comissão do Dicastério do Desenvolvimento Integral que trabalha nisso e se reúne comigo. Minha grande preocupação – ao menos a que sinto em oração – é como acompanhar o povo de Deus e estar mais perto dele. Este é o significado da missa das sete da manhã em streaming (…). Estou vivendo este momento com muita incerteza. É um momento de muita inventiva, de criatividade”. 

O pontífice reconheceu que “não é fácil ficar trancado em casa”, mas disse que isso é importante para nos prepararmos para o “depois” da crise:

“Preparem-se para tempos melhores, porque nestes tempos lembrar isso que temos passado nos ajudará. Cuidem-se para um futuro que está por vir. E quando ele chegar, lembrar o que se passou lhes fará bem. Cuide do agora, mas para o amanhã.”

O Santo Padre também falou sobre políticas públicas em resposta ao vírus e como as pessoas são sacrificadas pelo dinheiro. Ele afirmou que alguns governos adotaram medidas para proteger populações vulneráveis. Mas, acrescentou:

“Estamos percebendo que todo o nosso pensamento, gostemos ou não, foi moldado em torno da economia. No mundo das finanças, parece normal sacrificar [pessoas], praticar uma política da cultura do descarte, do começo ao fim da vida. (…) Esta crise afeta a todos: ricos e pobres. É uma chamada de atenção contra a hipocrisia. Eu me preocupo com a hipocrisia de certos personagens políticos que falam de juntar-se à crise, que falam da fome no mundo e enquanto isso fabricam armas. Este é o momento de nos convertermos dessa hipocrisia funciona. É um tempo de coerência. Ou somos coerentes ou perdemos tudo”. 

O Santo Padre citou autores clássicos como Virgílio, Dostoiévski e Manzoni para refletir sobre o processo de conversão e as oportunidades em meio à crise do coronavírus:

“Toda crise é um perigo, mas também é uma oportunidade. É a oportunidade de sair do perigo. Hoje, creio que temos que desacelerar um determinado ritmo de consumo e de produção (Laudato sí, 191) e aprender a compreender e a contemplar a natureza. E a reconectarmos com nosso entorno real. Esta é uma oportunidade de conversão. Sim, vejo sinais iniciais de conversão para uma economia menos líquida, mais humana.”

O Papa também mostrou sua solidariedade aos trabalhadores dos serviços essenciais:

“São heróis! Médicos, religiosas, sacerdotes, operários que cumprem com deveres para que a sociedade funcione. Quantos médios e enfermeiros morreram! Quantos sacerdotes, quantas religiosas morreram! Servindo…” 

Por fim, Francisco observou:

“As pessoas que ficaram pobres por causa da crise são os despojados de hoje que se somam aos despojados de sempre, homens e mulheres que carregam ‘despojado’ como estado civil. Perderam tudo ou estão perdendo tudo. Qual é sentido para mim, hoje, perder tudo à luz do Evangelho? Entrar no mundo dos “despojados”, entender que os que antes tinham agora não têm mais. O que peço às pessoas é para que cuidem dos idosos e dos jovens. Cuidem da história. Cuidem destes despojados”.

MEDITAÇÃO DIÁRIA Qua, 8 – Quarta-Feira da Semana Santa

Is 50, 4-9a / Slm 68 (69), 8-10.21bcd-22.31.33-34 / Mt 26, 14-25

… que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. (1ª Leitura)

Às vezes, nem é preciso uma palavra, basta uma presença, basta estar com alguém desalentado, basta a nossa companhia. Quantas vezes não terão vindo para ao pé de nós só para estar «ao pé de nós», quantas vezes não nos terão telefonado só para ouvir a nossa voz. Quantas vezes não teremos feito o mesmo… O leitor, hoje, peça a graça de saber (e querer) dar alento.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Vía Crucis - Coronavirus


















Rezar em tempo de epidemia





Tríduo Pascal em Família

Tríduo Pascal em Família é o mais recente livro do Pe. Ricardo Figueiredo e será disponibilizado online, gratuitamente, para que possa ser uma ajuda para a vivência deste tempo central na vida de todos os cristãos.

Diz o autor que «o facto de vivermos uma situação de pandemia pode levar a que muitas pessoas estejam privadas de participar fisicamente das celebrações pascais nas paróquias e em outras igrejas». Para o Pe. Ricardo Figueiredo isso «não deve ser motivo de deixar de viver cada um dos dias do Tríduo Pascal como dia para acompanhar Jesus num dos momentos decisivos da sua vida na terra: a Última Ceia, a Paixão, a Morte, a Descida à mansão dos mortos e a gloriosa Ressurreição».

D. Manuel Clemente, no prefácio, recorda que «as presentes circunstâncias [...] abrem campo a outras formas de oração, que devemos incrementar. Assim acontece com a oração em família, verdadeira “Igreja doméstica”, especialmente quando se une para rezar».
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MEDITAÇÃO DIÁRIA Ter, 7 – Terça-Feira da Semana Santa

Is 49, 1-6 / Slm 70 (71), 1-6ab.15ab.17 / Jo 13, 21-33.36-38

Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória. (1ª Leitura)

Primeiro, o que é a glória de Deus? É a sua irradiação. E o que é que Deus irradia? Amor. (Deus é amor – 1 Jo 4, 8). O leitor também manifesta o amor de Deus. Tome consciência disso e dessa responsabilidade. E reveja algumas alturas em que outras pessoas foram manifestações do amor de Deus para si e agradeça isso a Deus.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Peregrinação Internacional Aniversária Maio 2020

Cardeal D. António Marto envia mensagem a todos os peregrinos onde anuncia que a peregrinação de maio será celebrada sem a habitual multidão de peregrinos

O desafio de viver por dentro

Bom dia e boa Segunda-feira Santa para si que nos acompanha, onde quer que se encontre.
Estamos na reta final da preparação para a Páscoa, este ano com o grande desafio de viver estes dias sem as manifestações comunitárias da fé e de nos transformarmos, realmente, por dentro.

Do Vaticano, numa celebração inédita na Basílica de São Pedro praticamente vazia, chegaram conselhos do Papa e uma mensagem de esperança: Não estamos sozinhos!

A pandemia de Covid-19 obrigou a muitas mudanças e uma delas foi o adiamento da entrega dos símbolos da JMJ, que deveria ter acontecido este domingo. O futuro não demora e o encontro entre Francisco e a delegação portuguesa está agora marcado para 22 de novembro.
Por cá, fiz uma recolha de 20 mensagens de bispos diocesanos, neste Domingo de Ramos, para o ajudar a viver esta Semana Maior.

Outra proposta é uma das nossas novidades, este ano: uma semana com o cardeal D. José Tolentino Mendonça. Para ouvir e refletir. Esta segunda-feira, o bibliotecário da Santa Sé partilha a sua vivência da Semana Santa a partir do medo, das figuras do medo que percorrem a narrativa da Paixão de Jesus.

Estamos de volta à sua companhia pelas 15h00 na RTP2 e pelas 22h45, na Antena 1 da rádio pública. Em atualização permanente online, deixamos a partir de hoje uma saudação especial de Páscoa dos vários bispos portugueses, para as suas dioceses e para todos. Não perca.

Despeço-me com votos de boas notícias, sempre.

Octávio Carmo

MEDITAÇÃO DIÁRIA Seg, 6 – Segunda-Feira da Semana Santa

Is 42, 1-7 / Slm 26 (27), 1-3.13-14 / Jo 12, 1-11

Eis o meu servo, (...) o meu eleito, enlevo da minha alma. (1ª Leitura)

Caro leitor, hoje proponho-lhe que escolha uma destas expressões, ou duas, ou todas, e as saboreie. Repita-as devagar, para si próprio, ao ritmo da sua respiração ou como quiser. O que interessa é que vá saboreando e integrando a expressão que escolheu.

Papa: no drama da pandemia, pedir a graça de viver para servir

"O drama que estamos atravessando impele-nos a levar a sério o que é sério, a não nos perdermos em coisas de pouco valor; a redescobrir que a vida não serve, se não se serve. Palavras do Papa Francisco na homilia da missa neste Domingo de Ramos, celebrada na Basílica de São Pedro.
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Em meio à pandemia, não só a Praça São Pedro vazia, mas também a Basílica Vaticana, onde o Papa Francisco presidiu à celebração eucarística neste Domingo de Ramos.

Com o Pontífice, o mestre das cerimônias litúrgicas, mons. Guido Marini, poucos diáconos, um único cardeal, alguns leigos e religiosas. Também o coral foi em número reduzido.

As oliveiras e os ramos perto do altar da Cátedra lembravam a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém.
Saiba mais

DMJ2020 #1: Podcast assinala Dia Mundial da Juventude ao longo da Semana Santa

Iniciativa do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil apresenta a Mensagem do Papa «Jovem, Eu te digo, levanta-te!»

domingo, 5 de abril de 2020

Bíblia: Nova tradução dos quatro Evangelhos e dos Salmos disponível na internet

Divulgação acontece por ocasião do «Domingo da Palavra de Deus» e quer valorizar um texto com ideias «comuns a todas as religiões e fundamentais em todas as civilizações»
Lisboa, 18 jan 2020 (Ecclesia) – O coordenador Comissão da Tradução da Bíblia. disse à Agência ECCLESIA que os textos dos quatro Evangelhos e dos Salmos estão à disposição do público na internet com o objetivo de os tornar “mais acessível a todas as pessoas”.

Em março de 2019 a Conferência Episcopal Portuguesa CEP apresentou o primeiro volume da nova tradução da Bíblia em português feita por 34 investigadores a partir das línguas originais, com a publicação da edição de “Os Quatro Evangelhos e os Salmos”, que agora estão disponíveis no endereço conferenciaepiscopal.pt/biblia.

A publicação online dos quatro Evangelhos e dos Salmos inclui as notas e opções de tradução dos investigadores, convidando os leitores a deixar a sua opinião sobre e contribuindo para a melhorar.

Para o coordenador Comissão da Tradução da Bíblia da CEP, este projeto é “expressão da sinodalidade da Igreja no que toca à Sagrada Escritura”.

D. Anacleto Oliveira afirmou que é uma “feliz coincidência” a disponibilização da nova tradução da Bíblia online por ocasião do “Domingo da Palavra de Deus”, que se assinala no dia 26 de janeiro, e que acontece numa data “muito significativa”.

Para o biblista, que é bispo de Viana do Castelo, o “Domingo da Palavra de Deus” assinala o início do Tempo Comum na liturgia, quando os textos bíblicos iniciam uma “fase nova”, acontece por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e, este ano, celebra-se um dia depois da memória litúrgica de São Paulo.

“Este ano é no dia a seguir à festa de São Paulo, que é o escritor que mais contribuiu para o Novo Testamento e para a ligação profunda que existe com o Antigo Testamento”, afirmou.

O cordenador Comissão da Tradução da Bíblia da CEP lembrou que a Bíblia é “um património da humanidade” e um “reservatório” cultural das civilizações.

“A Bíblia é sem dúvida o livro mais lido, mais traduzido e mais conhecido e é um reservatório de uma cultura, não especificamente judaica e cristã, mas também a cultura envolve da época em que foi escrita”, afirmou D. Anacleto Oliveira

O investigador em Sagrada Escritura lembrou que o património cultural e espiritual que a Bíblia encerra diz respeito aos cristãos, aos judeus e a toda a humanidade, “porque as grandes ideias da Bíblia são comuns a todas as religiões e fundamentais em todas as civilizações”.

O primeiro volume da nova tradução da Bíblia, com “Os Quatro Evangelhos e os Salmos”, está disponível nas livrarias e o texto publicado na internet em conferenciaepiscopal.pt/bíblia.

Em setembro de 2019, o Papa Francisco divulgou a carta apostólica ‘Aperuit illis’ (‘Abriu-lhes o entendimento’) onde anuncia a instituição de um “Domingo da Palavra de Deus”, celebração anual nas comunidades católicas que visa promover a “familiaridade” com a Bíblia.

LS/PR

MEDITAÇÃO DIÁRIA Dom, 5 – Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

Is 50, 4-7 / Slm 21 (22), 8-9.17-20.23-24 / Fl 2, 6-11 / Mt 26, 14 – 27, 66 ou 27, 11-54

Dia da Juventude

O «Servo do Senhor», que o profeta Isaías nos apresenta, está atento e sabe ouvir o que se passa à sua volta, para dirigir palavras de consolação e esperança aos que andam abatidos. Provamos que somos discípulos de Jesus quando não nos fechamos nas trincheiras do nosso conforto egoísta, mas, abertos às interpelações dos que nos rodeiam, vamos ao seu encontro com atitudes e palavras de alento e consolação.

São Paulo escreve à comunidade dos cristãos de Filipos, que ele considerava muito boa, mas onde estavam a nascer rivalidades e invejas. Assim recomenda: «nada façais por ambição, nem por vaidade; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós próprios, não tendo cada um em mira os próprios interesses, mas todos e cada um os interesses dos outros» (2, 2-4). E, em seguida, Paulo apresenta o perfeito modelo deste tipo de comportamento, que é Jesus Cristo, pois, sendo Deus infinito, assumiu a frágil pequenez da nossa natureza humana, num excesso de amor por cada um de nós. Consequentemente, para seguirmos Jesus, nosso Mestre e Senhor, temos de viver numa atitude de serviço a quem precisa de nós.

O Evangelho apresenta-nos a narração da paixão, segundo São Mateus. É a história maravilhosa de Jesus, Deus encarnado, que assume voluntariamente o sofrimento mais cruel como preço da nossa salvação. Nesta narração, São Mateus insiste no repúdio da violência e do uso das armas: «Mete a tua espada na bainha, pois todos os que puxarem da espada morrerão à espada» (26, 52). Orígenes, no séc. III, assim comenta esta passagem: «Nós, os cristãos, deixámos de empunhar a espada, já não aprendemos a arte da guerra, porque através de Jesus tornámo-nos filhos da paz». Por contraste, a história da paixão e morte de Jesus é uma exortação a evitar a absurda insensatez da violência. Toda a violência é uma história de fracasso e derrota. Só o amor é vitorioso.