quarta-feira, 5 de agosto de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Qua, 5 – Semana XVIII do Tempo Comum

Jer 31, 1-7 / Jer 31, 10.11-12ab.13 / Mt 15, 21-28

Não fui enviado senão às ovelhas perdidas. (Evangelho)

Imaginemos que Deus tinha sido inventado por nós, à maneira dos reis terrenos, dos quais só se aproximam os grandes deste mundo ou as multidões. Tínhamos um Deus amigo dos cumpridores e que punha todos os outros no inferno. Pelo contrário. Temos um Deus que veio à terra – que Se humanizou – para resgatar os «perdidos», para que os perdidos se encontrem n’Ele. Hoje o leitor agradeça a Deus esta maravilha.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

DIA DE ORAÇÃO PELOS CRISTÃOS PERSEGUIDOS

 
Há seis anos, em Agosto de 2014, houve um ataque de enorme magnitude contra os Cristãos do Iraque. Por causa disso, e porque há datas que não podem cair no esquecimento, a Fundação AIS convoca os Portugueses, uma vez mais, para rezarem pelos Cristãos perseguidos.

Não deixar cair no esquecimento é o propósito principal da proposta de oração pelos Cristãos perseguidos para a próxima quinta-feira, dia 6 de Agosto. Nessa data, há precisamente seis anos, milhares de cristãos foram forçados a fugir, quando as terras onde sempre viveram, as suas aldeias e vilas na Planície de Nínive, no Iraque, foram invadidas pelo Daesh, os jihadistas do auto-proclamado Estado Islâmico.

Essa data, poderosamente simbólica, passou a ser assinalada como “Dia de Oração pelos Cristãos perseguidos”. Este ano, por causa da pandemia do coronavírus não vamos organizar nenhuma acção em concreto, mas isso não significa que não recordemos os Cristãos perseguidos, que não rezemos por eles. Por isso, a Fundação AIS lança o desafio a todos os Portugueses para lembrarem, num momento de oração, todos os que foram e são perseguidos por causa da sua fé.

D. Louis Raphael Sako, Patriarca dos Cristãos Católicos Caldeus, escreveu esta pequena oração que se tornou também a nossa oração pelos Cristãos perseguidos:
Senhor Jesus Cristo,
Vós nos ensinaste a rezar ao Pai em Vosso nome, e nos assegurastes que tudo o que pedíssemos, nós receberíamos.

Por isso, nos dirigimos a Vós com total confiança, pedindo a graça e a força de perseverar nesta tempestade, para alcançar a paz e a segurança, antes que seja tarde demais.

Esta é a nossa oração e, embora pareça impossível para nós, confiamos a vós a nossa sobrevivência e nosso futuro.

Ajuda-nos, Pai,
Em nome do Teu Filho crucificado e ressuscitado, Jesus, para continuarmos a trabalhar juntos; para sermos livres, responsáveis e amorosos; para encontrarmos a vossa vontade e fazê-la com alegria, zelo e coragem.

Em Canã, a Mãe de Jesus foi a primeira a reparar que não havia vinho. Por intercessão de Maria, pedimos-Te, Pai, para mudar a nossa situação - como vosso filho transformou a água em vinho - da morte para a vida.
Ámen

(Cardeal Patriarca Caldeu Louis Raphael Sako, Bagdade, Iraque)
Aponte na sua agenda: Dia 6 de Agosto, lembre-se dos Cristãos perseguidos. Reze por eles. Reze em casa, em família, na paróquia, no seu movimento. Reze.  Os Cristãos perseguidos não podem ser esquecidos.

Hoje 4 de Agosto - Santa Missa em Colares às 19h00


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

📢 Mensagem do Prior 📢

MEDITAÇÃO DIÁRIA Seg, 3 – Semana XVIII do Tempo Comum

Jer 28, 1-17 / Slm 118 (119), 29.43.79-80.95.102 / Mt 14, 22-36

Logo que a despediu [a multidão], subiu a um monte, para orar a sós. (Evangelho)

Jesus devia ter uma oração magnífica. Isto suponho eu, pois se os místicos têm êxtases imensos, quanto mais Jesus… Nós – mortais comuns – podemos ter uma oração consolada ou não. Às vezes, a nossa oração perde o sabor. Não nos «apetece» rezar. Algumas pessoas acham que é uma tentação do demónio. O que é, sem dúvida, é uma provação de Deus. É Deus a perguntar-nos: «Manténs o relacionamento comigo mesmo sem gosto?» É um relacionamento que põe a nossa fé à prova.

domingo, 2 de agosto de 2020

Frei Mateus Peres: Fé e cultura do gentil tecedor de mediações

«É uma pena se, para lá do círculo da família « dominicana, ficar por assinalar a partida dessa notável figura que foi, no Portugal contemporâneo, frei Mateus Peres, O.P.»: é com estas palavras que o cardeal Tolentino Mendonça evoca hoje o religioso português falecido, aos 87 anos, na segunda-feira. «Muitos recordarão a figura de frei Mateus Peres por outras razões. A mim, confesso, o seu legado foi a gentileza. Ele mostrou-me o que significa ser sempre gentil; como se pode e deve defender um quinhão de alegria no meio das turbulências; o valor dessa pureza de coração que se traduz em hospitalidade incondicional à vida e em prática fraterna efetiva.»

MEDITAÇÃO DIÁRIA Dom, 2 – Domingo XVIII do Tempo Comum – Ano A

Is 55, 1-3 / Slm 144 (145), 8-9.15-18 / Rom 8, 35.37-39 / Mt 14, 13-21

O profeta Isaías fala a partir da situação do povo de Israel exilado na Babilónia, onde já se encontra há mais de 50 anos, depois da destruição de Jerusalém. Muitos israelitas desistiram de lutar e regressar à sua terra e acomodaram-se a viver desterrados. Isaías anima o seu povo a não desistir de confiar no Deus da aliança, que os fará regressar ao seu país e saciará a sua fome com saborosos manjares. Quem está do lado de Deus cultiva sempre uma esperança que o ajuda a vencer todas as dificuldades.

O desafio que nos faz São Paulo é próprio de quem tem uma confiança inabalável em Deus. Só Deus é omnipotente e não, de modo algum, as dificuldades que poderemos ter de enfrentar. São Paulo enumera sete que experimentou na sua vida: «a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada». Cada um de nós poderá fazer a sua lista, incluindo a atual pandemia. Recordo uma afirmação, cheia de fé, que uma vez li: «Não digas a Deus que tens um grande problema; diz ao problema que tens um grande Deus».

Deus é perito em compaixão, sabe sofrer com os que sofrem e procura dar-lhes o justo remédio: Jesus, «ao desembarcar, viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes». Os apóstolos, perante uma multidão esfomeada, em hora tardia, apresentaram a Jesus a solução de quem fecha os olhos para o problema: «Manda embora esta gente». Mas Jesus Cristo chama-os à responsabilidade: «Não precisam de ir embora; dai-lhes vós de comer». E a partir do pouco que havia, «cinco pães e dois peixes», fez o milagre da multiplicação e a multidão ficou saciada.

Precisamos de imitar a desmedida compaixão do coração de Jesus. Compaixão que não é uma comoção vazia e sem consequências, mas encarna em gestos práticos de amor e serviço. Se ousarmos dividir o pouco que temos, Deus fará o resto, e não haverá fome de pão e de amor solidário.

sábado, 1 de agosto de 2020


Intenções de S. S. o Papa Francisco para o mês de Agosto

Intenção

O mundo do mar (Universal)

Rezemos por todas as pessoas que trabalham e vivem do mar, entre elas os marinheiros, os pescadores e suas famílias.

Reflexão

Este ano de 2020 celebram-se os 100 anos do Apostolado do Mar, que está integrado, a nível da organização da Santa Sé, no Dicastério para a Promoção Humana Integral. É por isso que, neste mês de agosto, o Santo Padre dirige o olhar e o coração da Igreja para aqueles que vivem do mar.

O mar sugere-nos, ao menos nos países que têm praia, tempo de férias, lazer, descanso, beleza e contemplação. Porém, para muitas pessoas, o mar é o lugar da sua subsistência, lugar de lutas e perigos. Muitos países têm o mar como a principal fonte da sua economia e constitui-se como o sustento de muitas famílias.

Pensemos nas pessoas que vivem do mar: os pescadores, os marinheiros, os que trabalham em cruzeiros de viagem, militares, etc. Muitas vezes, para além do perigo que o mar representa, sobretudo quando as condições de segurança são precárias, estas pessoas vivem dias e semanas longe dos seus, na incerteza do fruto do seu trabalho. É também comum que muita desta atividade seja propícia a abusos, a nível laboral e de condições de trabalho. Para que os alimentos e os bens do mar cheguem até nós, foi preciso que estes tivessem passado por muito esforço e em condições que desconhecemos.

Também sabemos como são importantes os laços e os tempos em família. A ausência de casa, por períodos sucessivos e regulares, é uma constante nestas famílias e não é, certamente, isenta de dificuldades de tipo afetivo, de fortalecimento dos vínculos e até de harmonia. Infelizmente, sabemos que muitas comunidades piscatórias são também lugares de muita precariedade social e pobreza.

Esta intenção pode ajudar-nos a recordar o que está por trás daquilo que chega até nós e a promover, na medida do possível, estas pessoas e a dignidade do seu trabalho. Para isso, felizmente, existem instituições que procuram proteger e lutar pelos direitos destes trabalhadores, as quais podemos conhecer e apoiar. Que a nossa oração e a gratidão de coração ajudem a todos a sentirem-se nossos irmãos e irmãs.

Oração

Senhor Jesus,
Tu que chamaste alguns pescadores
para serem teus discípulos,
nós te damos graças por continuares a olhar com amor
para aqueles que têm no mar o seu sustento.
Toca o nosso coração para podermos estar atentos
às necessidades destes nossos irmãos e irmãs e das suas famílias.
Torna-nos sensíveis à realidade em que vivem
e envia o teu Espírito sobre aqueles que podem dar-lhes
melhores condições para um trabalho digno e seguro.
Ampara-os e protege-os nas suas dificuldades,
assim como as suas famílias,
para que em nós encontrem sustento e ajuda.
Pai-Nosso...

Desafios

- Às refeições, agradecer pessoalmente, em família ou em comunidade por todos os que trabalham para que o alimento chegue às nossas mesas, vendo neles o rosto do amor de Deus por nós.

- Procurar conhecer mais sobre as condições de trabalho e a realidade das pessoas que vivem do mar, as suas famílias, e despertar a sensibilidade para os problemas e desafios que enfrentam.

- Conhecer instituições que ajudam as comunidades piscatórias nas suas dificuldades e no reconhecimento da dignidade do seu trabalho e colaborar, na medida do possível, com estas instituições.

Incêndios: D. Rui Valério fala em cenário de «destruição» e «desertificação» que se repete a cada verão

Bispo das Forças Armadas e de Segurança enviou mensagem de encorajamento a quem está na frente de combate ao fogo
Lisboa, 31 jul 2020 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e de Segurança enviou uma mensagem de encorajamento a todos os envolvidos no combate aos incêndios, lamentando o cenário de destruição e “desertificação” que se repete no país, a cada verão.

“Em Portugal, o verão tornou-se sinónimo de incêndios. Um flagelo que se tem traduzido em destruição, desolação, morte, desespero, abandono, desertificação… Quando a floresta arde, também a alma dos homens se queima”, escreve D. Rui Valério, num texto enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O responsável católico evoca a experiência de quem já perdeu os seus haveres, num momento que deixa marcas profundas para o futuro.

“A pobreza, a incerteza do amanhã, o desemprego, tudo escava sulcos de desconfiança nas almas. Trata-se, na verdade, de uma tragédia que mina diretamente a essência do ser humano”, refere.

O prelado sublinha que o trabalho no âmbito do combate aos incêndios tem “sempre uma relevância humanista”.

Como o destino das florestas, dos campos e de tudo o mais que possa ser dizimado pelas chamas tem ligações profundas com as pessoas, as quais se ressentem com a sua destruição, também o que for feito em prol das populações tem o efeito de um recomeço. É a fonte da esperança.

O responsável pelo Ordinariato Castrense destaca que as Forças Armadas e Forças de Segurança, “com a sua presença e ação no terreno, têm sido obreiras de renascimentos e arautos dessa esperança”.

“Caros Militares e Elementos das Forças de Segurança, com esta mensagem, tão breve quanto sentida, venho agradecer a vossa dedicação em defender Portugal. As palavras, embora insuficientes, exprimem a nossa gratidão e o nosso apreço, num ato de sincera retribuição, pelo vosso zelo em proteger o nosso país”, acrescenta.

D. Rui Valério manifesta uma “sincera admiração” pela entrega de quem está na linha da frente do combate ao fogo, colocando em risco a própria vida, e pelas suas famílias.

“A vossa atuação cria nas pessoas um profundo sentimento de segurança. E sobre esse sentimento, as pessoas constroem uma confiança sólida e uma esperança elevada. E vós, no meio da desolação, sóis um oásis para o renascimento”, escreve.

A mensagem conclui-se com uma oração, para que “o flagelo do incêndio nunca se revele uma certidão de óbito para ninguém”.

OC

MEDITAÇÃO DIÁRIA Sáb, 1 – Santo Afonso Maria de Ligório (Memória) / 1º Sábado

Jer 26, 11-16.24 / Slm 68 (69), 15-16.30-31.33-34 / Mt 14, 1-12

Embora quisesse dar-Lhe a morte, tinha receio da multidão. (Evangelho)

O receio de que outro proteste pode inibir-nos de pôr pé em ramo verde, o que é bom, mas noutras alturas pode acobardar-nos de tomarmos uma atitude vertical. Um exemplo muito prático é a defesa dos valores cristãos, defesa essa que pode ser necessária quando menos se espera. Por exemplo, imagine o leitor que faz parte de uma comissão que, em tempos de COVID-19, quer restringir o acesso dos idosos aos cuidados hospitalares… (Ninguém estava à espera que a COVID-19 aparecesse e eis senão quando ela surge…)

sexta-feira, 31 de julho de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Sex, 31 – Santo Inácio de Loiola (Memória)


Não é Ele o filho do carpinteiro? (Evangelho)

As pessoas da terra de Jesus, em vez de rejubilarem com o facto de um conterrâneo seu ter grande sabedoria e fazer milagres, ficaram escandalizadas porque ele era filho de um carpinteiro. Nós, em Portugal, também temos uma expressão parecida, quando não queremos ouvir umas verdades sobre nós próprios. Dizemos: «Mas que é ele (ou ela) para me vir agora com estas coisas?» Querido leitor, hoje reze pelo seu discernimento e humildade.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

MEDITAÇÃO DIÁRIA Qui, 30 – Semana XVII do Tempo Comum

Jer 18, 1-6 / Slm 145 (146), 2abc.2d-4.5-6 / Mt 13, 47- 53

Feliz o homem que tem por auxílio o Deus de Jacob. (Salmo)

Deus auxilia-nos sempre que nós pedimos. Pode é demorar muito tempo. Mas não devemos desistir de pedir. E usar todos os meios. Se pedirmos com força, Deus ajuda-nos com força. E aquilo em que Deus nos ajuda mais é na vinda do Espírito Santo sobre nós. Mas Deus também nos dá força. Muita força. É essa a minha experiência. Deus e Nossa Senhora. Como já disse ao leitor há uns dias, Nossa Senhora é uma intercessora poderosíssima. O leitor peça-lhe forças.

A PANDEMIA E OS MAIS VELHOS


Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.
(...)
Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.
(...)
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.
O que Jesus nos diz é:
"Também tu podes nascer",
pois nós nascemos, nascemos, nascemos.

(José Tolentino de Mendonça)

       São os mais velhos as principais vítimas da COVID 19 e esse facto veio trazer ao de cima um problema existente...  nomeadamente aqueles que estão ”confinados” em lares, impedidos, face aos riscos de contaminação, de receber visitas dos seus familiares. Ainda mais sós, portanto. Mas também todos os outros que subitamente, quase que em sobressalto, passaram a fazer parte desta enorme categoria sanitária/sociológica de grupo de risco. Subitamente bloqueados, pelo dever de proteção, neste gigantesco bloco catalogado de quase intocáveis.

   Estes tempos alertam-nos para o facto de termos de refletir seriamente sobre as condições de vida e de participação dos mais velhos. Sobre o que é ser “mais velho”.  Os velhos não são para “deitar fora” porque já não são úteis na denominada vida ativa. Os velhos “nascem dentro de si e no coração de Deus”. Os mandamentos alertam-nos para que devemos “honrar pai e mãe”, temos o dever de proteção

  Será que os honramos remetendo-os a depósitos onde não há convivência entre gerações, onde deixam de poder ser ativos, meros “utentes” de instituições? Será que os honramos colocando-os num grupo artificialmente homogéneo dos que “chegaram ao fim da vida” e já não têm forma de participar e contribuir para o bem estar da sociedade a que pertencem? 

  A mais recente classificação etária da OMS (Organização Mundial da Saúde) apresenta uma nova abordagem à 3ª idade: Considera a fase dos 66-79 como “meia idade”, os idosos são aqueles que se situam entre 80 e os 99, e os “idosos de longa vida” são os que ultrapassam a meta dos 100 anos. Esta classificação demonstra-nos que a referida “meia idade” é uma idade bem ativa e que, infelizmente, tem sido ignorada. Muitas pessoas desta idade continuam ativas nos diversos sectores da sociedade (que lhes são consentidos), nomeadamente em importantes atividades de voluntariado; tantas fazem trabalho invisível (de que é exemplo os cuidados que prestam a familiares), mas a tantas é negada a possibilidade de continuar a participar ativamente na sociedade; ninguém pode ser “desperdiçado”. Todos são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. É urgente pensarmos nesta ordem de questões e encontrar alternativas. Para que um dia o nosso coração culpabilizado não se sobressalte.

Aqueles que se situam entre os 80 e 99 anos e, mesmo acima dos 100 anos, os realmente “idosos”, têm o direito de levar um fim de vida feliz e em plenitude sem se sentirem culpabilizados por dar trabalho às gerações mais novas. Mas todos, estes e os da “meia idade”, são cidadãos de pleno direito, com direitos e com deveres, com responsabilidades na construção da casa comum. Este papel, não pode nem deve ser retirado, sob pena de ficarmos coletivamente mais pobres.

Temos de pensar em alternativas e já há conhecimento de experiências bem interessantes que vão sendo postas em prática um pouco por todo o mundo. Soluções mais humanizadas de combate ao isolamento que, numa perspetiva inter-geracional,  permitem que jovens estudantes, a troco de alojamento, acompanhem os mais velhos que assim permanecem na sua casa; ou construção de unidades residenciais autónomas, onde as comuns atividades do quotidiano são garantidas: alimentação, saúde, lazer, etc. Soluções mais integradoras na vida ativa, pela diversificação de postos de trabalho e de novas áreas e perfis funcionais, pelo desdobramento de horários de trabalho. Os mais velhos são muito diversos e as políticas públicas têm que o contemplar. Desde a  garantia de um número suficiente de unidades de cuidados continuados e paliativos que garantam um final de vida digno para os mais velhos, a reformas/pensões suficientes e justas que permitam autonomia de vida, a modelos concretos organizativos que possibilitem a sua participação ativa . É preciso pensar noutros termos  de forma a não excluir os mais velhos.

Estejamos atentos aos mais velhos e digamos, ao jeito de Jesus: “também tu podes nascer”. São cidadãos de parte inteira como nós. Têm o direito a ter voz e a dizer-nos como querem viver os últimos anos da sua vida. A eles devemos quem somos hoje. Deixemos que eles nos digam: “Nós nascemos, nascemos, nascemos”. E respondamos a esta sua interpelação.

                               Lisboa, 27 de julho de 2020
                         A Comissão Nacional Justiça e Paz

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Dois tipos de graças “aparentemente pequenas”, mas pelas quais Deus nos salva

“Se ouvirmos a voz de Deus quando nos inspira uma mortificação em determinadas circunstâncias, veremos grandes frutos de santidade em nós”

São Cláudio de la Colombière, em seu “Diário Espiritual”, afirma que a graça de Deus é
.
Ele prossegue afirmando que há dois tipos de graças, aparentemente pequenas,
- Uma é a luz que nos revela uma verdade: devemos acolhê-la cuidadosamente e cuidar de que não se extinga por nossa culpa; devemos utilizá-la como regra em todas as nossas ações, ver aonde nos leva etc.
- Outra é o movimento que nos leva a fazer determinada ação virtuosa numa ou noutra ocasião; devemos ser fiéis a estes movimentos, porque tal fidelidade é, por vezes, o núcleo da nossa felicidade.
E conclui:
“Se ouvirmos a voz de Deus quando nos inspira uma mortificação em determinadas circunstâncias, veremos grandes frutos de santidade em nós; pelo contrário, o desprezo desta pequena graça poderia ter consequências funestas, como acontece aos favoritos caídos em desgraça por serem complacentes em coisas pequenas”.

MEDITAÇÃO DIÁRIA Qua, 29 – Santa Marta (Memória)

Jer 15, 10.16-21 / Slm 58 (59), 2-3.4-5a.10-11.17 / Mt 13, 44-46

O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. (…) foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. (Evangelho)

Até hoje, nunca tinha posto a hipótese de a venda de «tudo quanto possuía» ter custado ao negociante. Mas se calhar não foi fácil. A sua cabeça sabia que valia a pena. Mas o seu coração seguiu logo a sua cabeça? Será que era um homem de muito pensar ou de «repentes»? E depois não terá tido pena? Jesus alerta-nos para estas duas tentações: para não hesitarmos e para não olharmos para trás. Peçamos essa graça.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Covid-19: Vaticano lança campanha de abraços para os mais velhos

«Respeitar o distanciamento não significa aceitar um destino de solidão e de abandono» – Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Cidade do Vaticano, 27 jul 2020 (Ecclesia) – O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé) lançou hoje uma campanha de abraços, físicos e virtuais, para os mais velhos, inspirado pela intervenção do Papa, este domingo, sobre o Dia dos Avós.

“É possível vencer o isolamento dos idosos também respeitando rigorosamente as normas de saúde em matéria de Covid-19. A pandemia atingiu particularmente os idosos e debilitou os já fracos vínculos entre as gerações, mas respeitar o distanciamento não significa aceitar um destino de solidão e de abandono”, assinala um comunicado do organismo da Cúria Romana, enviado à Agência ECCLESIA.

A campanha “Cada idoso é teu avô” convida os jovens de todo o mundo a fazer “um gesto de ternura para com os idosos que se sentem sozinhos”.

A nota destaca os testemunhos que chegam de várias comunidades católicas, que multiplicaram contactos telefónicos, via web, redes sociais – “até serenatas para os hóspedes das casas de repouso” – realizados por jovens, para impedir a solidão de muitas pessoas forçadas pela pandemia a permanecer em suas casas ou fechadas em lares.

Nesta fase da campanha, para respeitar as normas sanitárias em vigor nos diferentes países, o convite é o de “reunir virtualmente os idosos mais solitários do bairro ou da paróquia e enviar-lhes um abraço, como o Papa pediu, por meio de uma ligação telefónica, uma videochamada ou uma imagem”.

“Onde for possível – ou quando a emergência sanitária permitir -, convidamos os jovens a tornar o abraço ainda mais concreto, indo ao encontro dos idosos pessoalmente”, acrescenta o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

A iniciativa tem associada a hashtag #sendyourhug e os posts mais significativos vão ser divulgados nas contas de redes sociais do organismo do Vaticano, @laityfamilylifedisse.

Este domingo, o Papa assinalou o Dia dos Avós, na memória litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, pedindo atenção especial aos mais velhos, particularmente atingidos pela pandemia.

“Caros jovens, cada um destes idosos é vosso avô, não os deixem sós. Usai a fantasia do amor- telefonemas, videochamadas, mensagens-, escutai-os e, onde for possível – no respeito pelas normas sanitárias –, visitai-os. Enviai-lhes um abraço, eles são as vossas raízes”,

OC 

MEDITAÇÃO DIÁRIA Ter, 28 – Semana XVII do Tempo Comum

Jer 14, 17-22 / Slm 78 (79), 8.9.11.13. / Mt 13, 36-43

Aquele que semeia a boa semente é o filho do homem. (Evangelho)

Jesus lança a boa semente e, por sua vez, nós também lançamos. Nós não lançamos os filhos do Reino, como Jesus faz, mas lançamos sementes do Reino na nossa relação uns com os outros. Essas relações não podem ser ao calhas e ao sabor do nosso apetecer momentâneo. Têm de ser relações a pensar no outro. Por exemplo, tenho visto pessoas estarem mal numa refeição por estarem com uma educação excessiva para aquele ambiente, assim como a situação contrária. Hoje peçamos a Deus o dom da empatia.

segunda-feira, 27 de julho de 2020



MEDITAÇÃO DIÁRIA Seg, 27 – Semana XVII do Tempo Comum

Jer 13, 1-11 / Deut 32, 18-19.20.21 / Mt 13, 31-35

Sendo a menor de todas as sementes, depois (...) é a maior de todas as hortaliças. (Evangelho)

O reino dos Céus tem pequenos começos. Um escritor desconhecido que está a escrever uma obra-prima. Um pequeno gesto que salvou uma vida. Uma canção que deu sentido à vida de milhares de pessoas. Também as nossas vidas estão cheias de momentos mínimos que nos enchem infinitamente ou que nos deixam uma sede imensa de infinito. Mas o momento mais belo é aquele momento minúsculo em que encontramos Deus…