quinta-feira, 24 de março de 2016

Judas e eu

Será que existe um pouco de Judas no seu coração? A resposta vai surpreender-te

“Um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: ‘O que me dareis se vos entregar Jesus?’ Combinaram, então, trinta moedas de prata” (Mt26,14s)

Foi um discípulo quem entregou Jesus, um “cristão”.
Se os judeus foram culpados por rejeitarem seu Messias e tramarem Sua morte, se os romanos tiveram culpa pela covardia de Pilatos que preferiu lavar as mãos, nós, os discípulos também temos a nossa parte, também somos representados nesta triste cena.

Judas era um dos nossos, era como nós: fora amorosamente chamado por Jesus; o Mestre o chamou pelo nome, convidou-o a conviver com Ele…
Judas comera com Jesus, escutara a Sua palavra, como nós… Também comemos à Mesa do Mestre na Eucaristia, também escutamos Suas palavra proclamada de modo solene em cada Sacrifício da Missa…

Por que Judas traiu Jesus? Os motivos não são totalmente claros… Ao que parece, os apóstolos, de modo geral, esperavam um messias glorioso, potente, que restaurasse o antigo reino de Israel; e contavam em participar das glórias e vantagens de tal reino.

Pouco a pouco, Jesus foi decepcionando as ilusões deles: era um Messias humilde, pobre, servidor, manso! Entrou na casa de Zaqueu, o publicano pelego, curou o servo do centurião do exército romano opressor e elogiou-lhe a fé, mandou perdoar os inimigos e afirmou que o Seu Reino era de paz e verdade…

Certamente, que os Doze tiveram, coitados, que ir mudando de mentalidade, tivera quem ir deixando suas ilusões para abraçar a proposta de Jesus.
Parece que Judas não foi capaz… Decepcionou-se com o Mestre. A decepção virou amargura, a amargura tornou-se raiva e a raiva levou Judas a tornar-se cínico ante tudo que dizia respeito a Jesus: ficou entre os Doze, mas já não estava lá de coração, já não era um discípulo, já não era realmente um dos Doze. Começou a roubar o dinheiro da bolsa comum e, agora, estava decidido a entregar Jesus… Era um dos nossos, um de nós, um como nós…

Somos também tentado, às vezes, a nos decepcionar com o Senhor:
Ele não faz como esperamos, não age como desejaríamos, não nos dá satisfação.
A tentação é deixa-Lo pra lá ou mesmo ficar entre os discípulos não mais sendo um verdadeiro discípulo, fazendo do nosso modo, ou até traí-Lo, vendendo-nos às paixões, ao vício, à desonestidade, aos valores do mundo, ao pecado, a uma vida dupla…

Senhor, Jesus, por misericórdia, por piedade, não permitas que eu Te traia! Sou do mesmo material de Judas, meu irmão!

Sou pobre, às vezes, mesquinho, não consigo sempre ver com a largueza e profundidade do Teu Coração…

Às vezes duvido, às vezes tenho uma dificuldade medonha de aceitar de verdade Tuas exigências…Socorre-me, Senhor,
Para que eu não faça como Judas ou pior que Judas!

Aquele lá, ao menos depois chorou e enforcou-se…
Eu poderia fazer pior:
Poderia continuar, cínico, teimando no meu pecado,no meu erro, defendendo a minha posição e dizendo que o errado és Tu, que és ultrapassado, anacrónico!
Piedade de mim, Jesus, pela Tua Paixão!
Lembra-Te de mim, quando vieres no Teu Reino!

Dom Henrique Soares, Bispo de Palmares

MISSA CRISMAL, na Sé de Lisboa

Assista, em direto, a partir do site do Patriarcado de Lisboa www.patriarcado-lisboa.pt

segunda-feira, 21 de março de 2016

Confissão - Sacramento da penitencia e da Reconsiliação

Segunda-feira, dia 21de março  a partir das 21h00: confissões de preparação para a Páscoa , em Colares, a partir das 21h00

sábado, 19 de março de 2016

19 de Março, Dia do Pai - Oração a São José

Oração a São José

Oh São José , esposo de Maria e protector da Igreja, aqui estamos nós pais, que buscamos a tua protecção, para que saibamos ser bons esposos e bons pais. A ti nos dirigimos São José, para que intercedas por nós, inundando o nosso coração de alegria e de consolação. Saibamos nós, pelo teu exemplo, tornar as nossas famílias fortes, fazendo crescer os nossos filhos na fé e partilhando o Amor de Deus. A ti nos confiamos, glorioso Pai de Jesus, na esperança de alcançarmos a Vida Eterna. Ámen

Bênção dos pais

Deus Pai de Misericórdia, que com inefável providencia Vos dignastes escolher o Bem Aventurado S. José para protecção do Vosso Filho Jesus, nós Vos pedimos que abençoeis estes pais na sua missão de educadores, amando, saboreando e vivendo a Vossa Palavra.


Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Ámen

C21 - Salta Daí - Domingo de Ramos (Ano C) - P. Abel Ferreira

Salta Daí!
Há mais de dois mil anos atrás, Jesus foi pregado na cruz porque te ama. Nesta primeira celebração da Semana Santa, experimenta este amor e crê que Ele está sempre ao teu lado.

Atenção - Domingo de Ramos

Bênção dos Ramos 
Almoçageme às 10h00
Colares às 11h30 na Igreja da Misericórdia seguida de procissão para a Igreja Matriz

O Domingo de Ramos abre por excelência a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava "Rei dos Judeus", "Hosana ao Filho de Davi", "Salve o Messias"... E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte e morte de cruz. 

Mensagem Pascal - 2016

Páscoa em Ano de Misericórdia

Caros amigos e amigas que nos visitais nesta página da internet e neste tempo festivo da Solenidade da Páscoa que se celebrará por cinquenta dias.É significativo que encontremos na espiritualidade pascal o tema do mandamento do amor que também se pode traduzir por Misericórdia: “Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo, 35). O amor ou a misericórdia é o que distingue o discípulo de Cristo neste mundo. Amor semelhante ao de Cristo, que dá a sua vida por todos. Amor que passa pela cruz.

Entre as experiências pascais dos cristãos existe uma que se caracteriza por uma nobreza especial: o amor ao próximo, que na sua plenitude se chama misericórdia. Esse amor constitui uma passagem, supera o egoísmo. Exige um sair de si mesmo e dar um passo em direção ao outro. A experiência do amor ao próximo torna o homem e a mulher semelhantes a Deus, pois Deus é amor.

O homem e a mulher são chamados a amar o próximo, a todo o próximo, porque Deus nos amou primeiro e deu a Sua vida por nós. Desta forma, espelham, manifestam o próprio Deus, apontam para Ele. São profetas e profetizas.

Outro aspecto da nobreza do amor ao próximo é que por ele a pessoa humana vive a realidade última já neste mundo. O amor ao próximo vivido neste mundo não nos é tirado. Ele penetra na eternidade, pois forma a comunidade eclesial, o Corpo místico de Cristo. Constitui uma forte experiência de vida que permanece, por isso mesmo, uma intensa experiência pascal.

É este motivo por que os cristãos não precisam de ir longe para buscar motivos de celebração da Páscoa. Basta viverem o amor, a misericórdia para com o próximo intimamente associado ao amor de Deus, o amor fraternal na família e o amor fraterno na sociedade.

O amor ou misericórdia é pois o modo mais concreto de se viver a espiritualidade pascal, fazendo-se reconhecer Cristo Ressuscitado ao mundo.

A todos uma Santa Páscoa.

Pe. José António Rebelo da Silva.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Iémen: «A guerra de que ninguém fala»

Milhares de civis foram mortos e feridos pela coligação liderada pela Arábia Saudita desde o início do conflito no Iémen. Agora, os EUA preparam-se para vender mais armamento ao regime saudita. Campanha da Amnistia Internacional quer evitar a venda

É a guerra que ninguém está a falar, submergida por outros conflitos que preocupam também a comunidade internacional. Milhares de civis foram mortos e feridos pela coligação liderada pela Arábia Saudita desde o início do conflito no Iémen. 

O governo de Riade liderou uma campanha devastadora de ataques aéreos ilegais e bombardeamento a alvos civis no país vizinho, como denuncia a Amnistia Internacional. E agora o Presidente americano Obama autorizou a venda pelos Estados Unidos da América (EUA) de mais de 18 mil bombas e 1500 ogivas para a Arábia Saudita, no valor de mais de mil milhões de dólares (cerca de 898 milhões de euros). 

Como as bombas ainda não foram entregues, a Amnistia Internacional lançou uma campanha na internet para pedir ao Presidente Obama e ao Congresso dos EUA que cancelem a venda deste armamento à Arábia Saudita.

sábado, 12 de março de 2016

Obras de Misericórdia - Apontamentos Catequéticos #5

Publicado a 10/03/2016
Obras de Misericórdia Espirituais: 4-Consolar os tristes; 5-Perdoar a injúrias.

O Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente apresenta, durante a Quaresma deste ano 2016, breves apontamentos catequéticos sobre as Obras de Misericórdia.

C20 - Em Flagrante - 5.º Domingo da Quaresma (Ano c) - P. Hugo Goçalves

DESAFIO-TE:

Esta semana procura um padre e celebra o sacramento da reconciliação para poderes chegares a esta Páscoa de coração livre.

Recordando a eleição do Papa Francisco

O Papa do Sul do mundo trouxe preocupações específicas para a reforma da Igreja e a transformação da sociedade global

Lisboa, 11 mar 2016 (Ecclesia) - A Igreja Católica assinala este domingo o terceiro aniversário da eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa, um pontificado que nos últimos meses conheceu momentos como o Sínodo sobre a Família ou a encíclica ‘Laudato si’.

As viagens internacionais e a convocação de um Jubileu extraordinário da Misericórdia foram outros pontos de destaque, a que se somaram o encontro histórico com o patriarca ortodoxo de Moscovo e a visita à sede da ONU, em Nova Iorque.

Francisco tem proposto uma mudança do paradigma económico e financeiro internacional, como tinha deixado bem vincado na exortação ‘Evangelii Gaudium’ ou no seu discurso em Estrasburgo, perante o Parlamento Europeu, em defesa da democracia face ao poder dos mercados.

Com a encíclica 'Laudato si', Francisco abriu as fronteiras do seu discurso e colocou a Igreja Católica na liderança do movimento mundial para a defesa do ambiente, congregando à sua volta apoios das mais diversas proveniências.
O Papa tem estado próximo dos mais pobres e excluídos, na defesa de uma globalização mais plural, que respeite a identidade de todos e os excluídos, um discurso marcado pela vivência no Sul do mundo.

O primeiro pontífice da América Latina tem mostrado preocupação com a situação do Velho Continente, desejando uma ‘refundação da Europa', particularmente necessária perante as crises de refugiados e do terrorismo internacional.

O Papa tem repetido mensagens em favor da paz nas várias regiões do mundo afetadas por conflitos, assumindo a defesa dos cristãos no Médio Oriente, perseguidos pelo autoproclamado ‘Estado Islâmico’, e criticando quem justifica ataques terroristas com as suas convicções religiosas.

O cardeal Jorge Mario Bergoglio foi eleito como sucessor de Bento XVI a 13 de março de 2013, após a renúncia do agora Papa emérito; assumiu o inédito nome de Francisco e é o primeiro pontífice jesuíta na história da Igreja.

Em 36 meses, o Papa argentino visitou o Brasil, Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba e Estados Unidos da América, Quénia, Uganda, República Centro-Africana, e o México, bem como as cidades de Estrasburgo (França), onde passou pelo Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, Tirana (Albânia) e Sarajevo (Bósnia-Herzegovina).

Realizou também dez viagens em Itália, incluindo passagens por Assis e pela ilha de Lampedusa, bem como uma homenagem no centenário no início da I Guerra Mundial, para além de outras visitas a paróquias na Diocese de Roma.

Entre os principais documentos do atual pontificado estão as encíclicas 'Laudato si', dedicada a questões ecológicas, e 'Lumen Fidei' (A luz da Fé), que recolhe reflexões de Bento XVI, bem como a exortação apostólica 'Evangelii Gaudium' (A alegria do Evangelho).

O Papa promoveu um Sínodo sobre a Família, em duas sessões, com consultas alargadas às comunidades católicas, e deu início ao Jubileu da Misericórdia, terceiro ano santo extraordinário na história da Igreja Católica, 50 anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II.

Francisco tem sublinhado a sua preocupação com as “periferias” geográficas e existenciais da humanidade, que exigem respostas da Igreja e da sociedade.

Internamente, tem promovido também areforma dos organismos centrais da Igreja Católica, em particular a estrutura de coordenação para as atividades económicas e administrativas.

O Papa criou um Conselho de Cardeais, para o aconselhar no governo da Igreja e na revisão da Constituição Apostólica ‘Pastor Bonus’, sobre a Cúria Romana; o grupo com cardeais dos cinco continentes propôs a criação de uma comissão específica para os casos de abusos sexuais, à qual Francisco deu luz verde.

Os primeiros anos de pontificado são analisados na mais recente edição do Semanário ECCLESIA, com uma entrevista a Adriano Moreira e um dossier que inclui ainda textos de vaticanistas internacionais e testemunhos de vários bispos e outros portugueses que tiveram oportunidade de contactar com Francisco.

OC

sexta-feira, 11 de março de 2016

Lembramos o Convite para o colóquio na próxima terça-feira dia 15/03

Colóquio
«Nostra Aetate – Nossa Era, 50 anos depois»

Há 50 anos, o Concílio Vaticano II, já na sua reta final, promulgou com uma impressionante maioria, a Declaração «Nostre Aetate», sobre o diálogo inter-religioso. No desejo de celebrar os progressos que ao longo destes anos têm vindo a ser conseguidos, mormente no diálogo entre Judaísmo e Cristianismo, a Universidade Católica e a Embaixada de Israel propõem um dia inspirador e desafiante de encontro-reflexão comum.

15 mar | 09h45 | Auditório 1 | Entrada livre 

segunda-feira, 7 de março de 2016

A não perder


Mensagem do Papa para a Quaresma 2016

Cidade do Vaticano (RV) - Leia na íntegra a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016:

«“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). As obras de misericórdia no caminho jubilar»

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada

Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.

Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia

O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.

Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.

Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia

A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.

Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.

Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.

Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).

Vaticano, 4 de Outubro de 2015

Festa de S. Francisco de Assis

[Franciscus]

domingo, 6 de março de 2016


 A Universidade Católica Portuguesa convida V. Exa.
para a Grande Conferência “O Julgamento de Jesus” a proferir
pelo Prof. Joseph H. H. Weiler, que terá lugar na Fundação
Calouste Gulbenkian, no dia 14 de março, pelas 18h.

O Julgamento de Jesus é provavelmente o episódio jurídico 
com maiores consequências na evolução da civilização ocidental. 
Tem um impacto profundo no conceito de Justiça, e as suas repercussões sentem-se quer se seja crente ou não-crente. Qual foi o objetivo  
do Julgamento? Nesta palestra, o Professor Weiler analisará o contexto histórico, político e jurídico do Julgamento. Através de uma reflexão 
sobre estas e outras questões, será explorada a forma como 
o Julgamento moldou as noções ocidentais de Justiça.





Sessão em inglês com tradução simultânea

Universidade Católica Portuguesa

INSCRIÇÕES ABERTAS

São permitidas inscrições por conferência até à data da sua realização

6ª CONFERÊNCIA – 9 DE MARÇO « Jesus rosto da misericórdia »

ORADOR: Alexandre Palma

LOCAL: ANFITEATRO 1

Valor: 5.00€

Boletim de Inscrição: AQUI

O Curso sobre a ´Misericórdia` decorrerá  ao longo do ano académico 2015/16,  21 de outubro de 2015 a 11 de maio de 2016, com uma conferência temática mensal (9 conferências), às quartas-feiras das 18.30h às 20.30h

sexta-feira, 4 de março de 2016

Obras de Misericórdia - Apontamentos Catequéticos #4

Publicado a 03/03/2016
Obras de Misericórdia Espirituais: 1-Dar bom conselho; 2-Ensinar os ignorantes; 3-Corrigir os que erram.

O Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente apresenta, durante a Quaresma deste ano 2016, breves apontamentos catequéticos sobre as Obras de Misericórdia.

C19 - Pai Pródigo - 4.º Domingo Quaresma (Ano C) - P. Pedro Manuel

DESAFIO-TE:

E eu que personagem sou? O pai, o filho mais velho, ou o filho mais novo?

quinta-feira, 3 de março de 2016

Catequese

Vaticano: Dia Internacional da Mulher vai destacar papel feminino na Igreja e na sociedade

Cidade do Vaticano, 01 mar 2016 (Ecclesia) – O Vaticano vai assinalar o Dia Internacional da Mulher, a 8 de março, com um grande encontro na Casina Pio XII para que dará destaque ao papel da mulher na Igreja e na sociedade, um pouco por todo o mundo.

Segundo a Rádio Vaticano, a iniciativa vai contar com “a participação de mulheres provenientes de países como Filipinas, Quénia, Alemanha, República Democrática do Congo, Hong Kong, Estados Unidos da América, Índia e República Checa”.

No âmbito do tema “A misericórdia requer coragem”, estas mulheres vão partilhar o modo como “contribuem para promover o papel feminino em suas realidades e a liderança das mulheres na Igreja”.

Este encontro internacional decorre no âmbito do projeto “Vozes de Fé”, um evento organizado pela Fundação Fidel Götz que marca habitualmente o Dia Internacional da Mulher, no Vaticano.

Este ano, a comemoração tem como novidade “uma parceria com o Serviço Jesuíta para Refugiados (JRS), para reforçar a importância da educação feminina”, sobretudo para as mais jovens.

JCP

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Destaques da semana

- QUARTA-FEIRA: Confissões em Almoçageme às 10h00.  Confissões aos doentes da Praia das Maçãs a partir das 14h00.
- QUINTA-FEIRA: 1ª do mês. Confissões aos doentes do Mucifal a partir das 14h00. Oração Vocacional no Mucifal às 18h00.
- SESTA-FEIRA: 1ª do mês. Via Sacra, na Igreja do Mucifal às 18h00 e em Colares às 18h15.
24 horas para o Senhor: Na Igreja do Mucifal, inicio com Adoração ao SS.mo Sacramento e confissões às 18h30 e Missa às 19h15, seguida de Oração por grupos e movimentos, terminando com a Missa vespertina de Sábado às 19h00. Haverá confissões entre as 10h00 e as 12h00.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Prisões: «A assistência religiosa é um direito dos reclusos e um dever da Igreja»

D. Joaquim Mendes, bispo que acompanha a Pastoral Penitenciária de Portugal, considera a cadeia um «lugar teológico»

Lisboa, 26 fev 2016 (Ecclesia) – O bispo que acompanha a Pastoral Penitenciária de Portugal Afirmou que a direção os Estabelecimentos Prisionais devem “garantir condições” para que os presos tenham oportunidade de rezar, bem como “acesso a textos religiosos e à formação religiosa”.

“A assistência religiosa deve ser colocada ao mesmo nível de outros tipos de assistência a que os reclusos têm direito, como a assistência social, psicológica, jurídica e de saúde”, escreveu D. Joaquim Mendes, vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social, para os reclusos “poderem satisfazer os preceitos vinculados à sua própria religião”.

Num artigo de opinião publicado hoje, na mais recente edição do Semanário digital Ecclesia, o prelado sublinha que a assistência religiosa “é um direito dos reclusos e um dever da Igreja”.

Para D. Joaquim Mendes, a condição dos reclusos nas cadeias portugueses deve “suscitar o empenho” de todos os cristãos e das comunidades cristãs.

“Na prevenção, no seu acompanhamento, no respeito pela sua dignidade, na preocupação com sua reabilitação e reintegração social e laboral, e também na proximidade, acompanhamento e apoio às suas famílias”, exemplifica.

O bispo vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social alerta para a importância de “favorecer a reinserção”, dando aos reclusos “acesso ao trabalho” mas, também, “promover uma justiça reconciliadora” que seja capaz de “restaurar” as relações de convivência harmoniosa “rompidas pelo crime cometido”.

O seu artigo, o também bispo auxiliar de Lisboa, recorda que a Comissão Internacional da Pastoral Penitenciária Católica reafirmou este direito à assistência religiosa afirmando que “a prevenção da liberdade deve incluir o direito do recluso de receber o Evangelho, de viver a sua fé e de observar as práticas e os ritos da própria religião”.

Para D. Joaquim Mendes, a pastoral penitenciária tem “a tarefa importante” de fazer compreender que a “misericórdia de Deus não tem limites”, porque “Deus não deixa de amar” apesar dos pecados e dos crimes.

Neste contexto, acrescenta que o arrependimento e o perdão “destroem o pecado e restituem” ao pecador a sua dignidade de filho de Deus.

“A reclusão assim como toda a experiência humana negativa, não separa, nem exclui do amor de Deus, por isso a Igreja sente o dever e reclama o direito de poder levar aos reclusos a Boa Nova do Evangelho”, sublinha.

O vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social adianta que a Igreja está nas prisões porque “acredita na conversão dos reclusos” e vê aí um “campo prioritário da sua missão.

“Não somente do ponto de vista religioso, mas também do ponto de vista psicológico, de acompanhamento do recluso ao encontro com Jesus Cristo levando-o à reconciliação”, acrescenta na mais recente edição do Semanário digital Ecclesia.

“A cadeia não é só um lugar de detenção, mas é, antes de tudo um lugar «teológico» onde encontramos Cristo que aí habita na pessoa de cada recluso”, destaca ainda D. Joaquim Mendes, considerando que o Ano Santo da Misericórdia “desafia toda a Igreja” a voltar o seu olhar para essas «periferias».

A pastoral penitenciária “deve ajudar” os reclusos a descobrir a misericórdia de Deus, assinala, recordando que o Papa Francisco na prisão de Júarez, na visita ao México, disse para se “manter viva a esperança do Evangelho da Misericórdia na prisão”.

A edição do semanário digital Ecclesia, hoje publicada, tem por dossier central o trabalho da Igreja Católica nas prisões.

CB/

C18 - Nova Oportunidade - 3.º Domingo Quaresma (Ano C) - P. Abel Ferreira

Desafio-te:
Nesta Quaresma, escolhe uma Obra de Misericórdia e põe-na em prática. - See more at: http://ivangelho.com/#sthash.re2FQTi3.dpuf

Obras de Misericórdia - Apontamentos Catequéticos #3

O Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente apresenta, durante a Quaresma deste ano 2016, breves apontamentos catequéticos sobre as Obras de Misericórdia.
Obras de Misericórdia Corporais:
5-Assistir aos enfermos; 
6-Visitar o presos; 
7-Enterrar os mortos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Na Tua Palavra | D. NUNO BRÁS

Não nos criamos a nós
Três características marcam a existência humana, sempre e em qualquer lugar: a vida, a liberdade e a responsabilidade.

Somos responsáveis (respondemos) por aquilo que somos e fazemos, pelo mundo que nos rodeia, pelos outros seres humanos que não nos podem nunca ser indiferentes. A nossa existência é sempre uma tarefa, uma construção que não nos deixa ficar quietos. O facto, no entanto, é que não fomos nós que escolhemos ser responsáveis; que nos colocámos a nós mesmos perante a necessidade de nos tomarmos a sério, e de tomarmos os outros (os seus sofrimentos e as suas alegrias) como alguém que nos toca e que nos diz respeito. A responsabilidade é-nos dada, não é criação de nenhum de nós, nem é criação humana.

E do mesmo modo a liberdade, essa capacidade de decidir o caminho que havemos de traçar para a nossa existência: não podemos nunca dar por concluídos os trabalhos da nossa construção como pessoas; havemos sempre de procurar ser mais, em cada momento que passa; havemos de procurar novas atitudes e novos horizontes, novos significados, novos modos de os expressar – porque a liberdade não diz respeito simplesmente a cada um: a liberdade dos demais, mesmo que não crie a minha liberdade, torna-a mais possível. Mas também não fomos nós que decidimos ser livres (a liberdade não se conquista, ao contrário daquilo que por aí se diz): ela nasce connosco, é uma tarefa que recebemos. A tarefa da liberdade foi-nos dada com a existência humana.

E também não fomos nós que nos demos a vida. Com efeito, por muito grande que seja a nossa vontade; por muito grande que seja a nossa capacidade técnica; por muito grandes que sejam a nossa sabedoria e ciência, somos sempre devedores. Não fomos nós que nos criámos. Não fomos nós que decidimos existir. Fomos colocados na vida.

Mas então, se assim é, porque passamos a agir como se tudo dependesse de nós? Porque querem que passemos a viver como se pudéssemos dar e tirar a vida; como se estivesse em nossas mãos autorizar a liberdade do próximo e como se fossemos irresponsáveis? Não fomos nós que nos criámos: porque é que achamos que podemos tirar a vida dos outros, como acontece no caso do aborto; ou a nossa própria vida, como sucede no caso da eutanásia?

SEMANA NACIONAL CÁRITAS - 21 a 28 de Fevereiro de 2016

Cáritas Coração da Igreja no Mundo
Esta é a Semana Cáritas do Ano da Misericórdia.
E 'misericórdia' pode ser traduzida como paixão, como reconciliação e como proximidade.

Vaticano: Papa surpreende peregrinos na Praça de São Pedro com «remédio espiritual» para a Quaresma

Pobres, refugiados e sem-abrigo distribuíram nova dose de «misericordina»

Cidade do Vaticano, 21 fev 2016 (Ecclesia) – O Papa surpreendeu hoje os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro com a oferta de um “remédio espiritual”, a ‘misericordina’, distribuindo simbolicamente pequenas embalagens, como as dos medicamentos.

“Já o fizemos uma vez, mas esta é de melhor qualidade, é a Misericordina Plus”, gracejou Francisco, evocando o gesto similar que tinha sido efetuado no mesmo local, em novembro de 2013.

A caixa foi distribuída por pobres, refugiados e sem-abrigo, contendo um terço e uma imagem de Jesus Misericordioso.

O objetivo é propor aos fiéis católicos a recitação do chamado ‘terço da Divina Misericórdia’, uma devoção católica baseada nas visões de Santa Faustina Kowalska (1905-1938), canonizada por João Paulo II em 2000.

Francisco explicou que a Quaresma, período de preparação para a Páscoa, é “um tempo propício para cumprir um caminho de conversão, que tem como centro a misericórdia”.

“Recebam este presente como uma ajuda espiritual para difundir, especialmente neste Ano da Misericórdia, o amor, o perdão e a fraternidade”, acrescentou.

O Papa associou-se depois a uma iniciativa da Comunidade Papa João XXIII, que na próxima sexta-feira vai promover em Roma uma Via-Sacra “de solidariedade e de oração pelas mulheres que são vítima do tráfico humano”.

O encontro de domingo para a recitação do ângelus começou com uma evocação da mais recente viagem internacional do Papa, que o levou a Cuba e ao México de 12 a 17 de fevereiro.

Francisco recordou o encontro com o patriarca ortodoxo de Moscovo, Cirilo, que decorreu em Havana, considerando que este acontecimento inédito “é uma luz profética da ressurreição, da qual hoje o mundo tem mais necessidade do que nunca”.

Em relação à visita ao México, o Papa recordou os vários problemas que atingem o povo deste país, “ferido, oprimido, desprezado, violado na sua dignidade”, afirmando que “a luz da fé que transfigura os rostos e ilumina o caminho”.

OC

sábado, 20 de fevereiro de 2016

C17 - GodSelfie - 2.º Domingo Quaresma (Ano C) - P. Luís Pardal


DESAFIO-TE:

Nesta Quaresma, não fiques agarrado a um momento em que te sentiste perto de Deus. Usa essa "selfie" para fortalecer a tua fé e não tenhas medo de anunciar a Sua palavra.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Obras de Misericórdia - Apontamentos Catequéticos #2

Em cada Domingo da Quaresma, um apontamento catequético de D. Manuel Clemente, sobre as obras de Misericórdia.
Obras de Misericórdia Corporais: 
3- Vestir os nús; 
4- Dar pousada aos peregrinos.

Igreja: Papa enviou mensagem ao presidente português no regresso a Roma

Francisco renova votos de «paz e alegria»

Lisboa, 18 fev 2016 (Ecclesia) - O Papa enviou uma mensagem ao presidente Aníbal Cavaco Silva, ao sobrevoar o espaço aéreo português de regresso a Roma, após uma viagem de seis dias a Cuba e México.

“Envio saudações cordiais a vossa excelência ao sobrevoar Portugal no meu regresso do México. Asseguro-lhe a si e a todo o povo da nação a lembrança nas minhas orações e invoco sobre cada um de vós as bênçãos de Deus de paz e alegria”, refere o telegrama endereçado ao presidente da República Portuguesa, divulgado pela Santa Sé.

Francisco dirigiu ainda mensagens ao presidente norte-americano Barack Obama, ao rei Felipe VI de Espanha e ao presidente italiano, Sergio Mattarella.

Neste último telegrama, o Papa manifesta a sua admiração pela “fé e o desejo de crescimento espiritual e social” do povo mexicano.

O voo de regresso a Roma aterrou em Ciampino cerca das 15h00 locais (menos uma em Lisboa), após quase 12 horas de viagem.

Antes de voltar ao Vaticano, Francisco cumpriu a tradicional homenagem de agradecimento à Virgem Maria na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.

OC

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Comunicação low cost nas paróquias

Lisboa | 1ª JORNADA DIOCESANA DA COMUNICAÇÃO
‘Projetar a comunicação de uma paróquia, com apenas 5 euros’. É possível? Este é o desafio lançado pelo Departamento da Comunicação do Patriarcado de Lisboa a alguns profissionais da comunicação em Portugal, que vão estar presentes na 1º Jornada Diocesana da Comunicação, no próximo dia 27 de fevereiro, em Queijas.

 Pela primeira vez, o Departamento da Comunicação da diocese organiza a Jornada Diocesana da Comunicação, que terá como tema ‘Comunicar para chegar a todos’. Segundo este departamento, a jornada pretende ser uma “contribuição para colmatar as principais necessidades (formação e recursos), identificadas pelos agentes da pastoral da comunicação da Diocese de Lisboa no encontro realizado em outubro, e fomentar o relacionamento com todos meios de comunicação social, possibilitando a reflexão e a discussão”, salienta.

Além de momentos de formação prática, com workshops de fotografia, escrita, vídeo e redes sociais e a apresentação de projetos (gabinete de comunicação, Agência Ecclesia e iVangelho), a Jornada Diocesana da Comunicação vai contar com uma mesa redonda de profissionais que terão o desafio de ‘Projetar a comunicação de uma paróquia, com apenas 5 euros’. Este painel tem como objetivo “despertar e estimular a utilização de estratégias e propostas criativas em todo trabalho pastoral e profissional”, garante o departamento. A concluir, a jornada vai contar com uma conferência do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, sobre o tema do encontro.
Informações: 218810500 ou http://jornadacom.patriarcado-lisboa.pt

sábado, 13 de fevereiro de 2016

C16 - A Luta Entre o Bem e o Mal - 1.º Domingo Quaresma (Ano C) - P. Gon...

DESAFIO-TE:

Nesta Quaresma faz o sacrifício de comer um pouco mais do que gostas menos e um pouco menos do que gostas mais.

Obras de Misericórdia - Apontamentos Catequéticos #1

Publicado a 12/02/2016
Obras de Misericórdia Corporais: 1-Dar de comer a quem tem fome; 2-Dar de beber a quem tem sede.

O Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente apresenta, durante a Quaresma deste ano 2016, breves apontamentos catequéticos sobre as Obras de Misericórdia.

Dia Mundial do Doente: «Muitas vezes a revolta é o primeiro ato de fé verdadeira»

Capelão do Hospital Pediátrico Dona Estefânia em Lisboa lida todos os dias com as alegrias, esperanças e perdas das famílias

Lisboa, 11 fev 2016 (Ecclesia) – O padre Carlos Azevedo é capelão no Hospital Pediátrico Dona Estefânia, em Lisboa, há mais de 13 anos e já testemunhou muitos casos em que o sofrimento foi porta para uma maior aproximação a Deus.

Numa entrevista publicada na última edição do Semanário ECCLESIA, o sacerdote aborda a sua missão numa unidade de saúde especialmente dedicada a crianças e que todos os dias é marcada pelas alegrias, esperanças e perdas das famílias.

“Muitas vezes as pessoas aproximam-se de Deus para pedir, para implorar, para agradecer. Há aqui um sentido muito bonito de gratidão, sempre muito forte, por tudo aquilo que são as superações”, realça o capelão.
Grande parte da comunidade que se junta para celebrar missa na capela do hospital D. Estefânia “é constituída por pais”, uns “cujos filhos superaram a doença” e outros “que tiveram crianças que partiram daqui”.

“Frequentemente a relação que as pessoas têm com Deus é de revolta, algo que nos habituámos também a gerir de uma forma positiva, porque muitas vezes a revolta é o primeiro ato de fé verdadeira”, realça o padre Carlos Azevedo, para quem “é tão importante estimular esta relação de revolta para com Deus como o contrário”.

“Porque creio que Deus aguenta. Se a revolta for dirigida aos médicos, aos enfermeiros, aos auxiliares, ou até dentro do próprio núcleo familiar, a algum dos membros, isto torna o processo muito mais difícil”, acrescenta aquele responsável.

O Hospital Dona Estefânia tem a particularidade de ter sido a última morada de Jacinta Marto, uma das videntes de Fátima, que ali faleceu a 20 de fevereiro de 1920.

Para o padre Carlos Azevedo, Jacinta tem sido “ao longo de quase 90 anos” uma figura “muito inspiradora” para todos quantos recorrem, visitam ou trabalham no hospital.

“Costumamos dizer que a grande virtude dos pastorinhos de Fátima não foi só terem visto Nossa Senhora, mas essencialmente a sua heroicidade no sofrimento. E muitas vezes isto serve também para passarmos daqui da capelania para a restante comunidade hospitalar um bocadinho dessa fortaleza”, sublinha o sacerdote.

A mensagem que o Papa Francisco publicou para o Dia Mundial do Doente, que hoje se assinala, destaca “a doença” como um “caminho para chegar a uma proximidade mais estreita com Jesus”

Realça ainda a importância da fé que “nestas situações, se por um lado é posta à prova, por outro revela toda a sua força positiva”.

Segundo o capelão do Hospital D. Estefânia, a vida de Jacinta Marto permanece hoje como um exemplo dessa força positiva.

“Para que nas horas de maior dificuldade, não seja só o sofrimento a comandar a vida, mas também a nossa valentia, a nossa fé, o nosso amor, a esperança que é tão fundamental nestas horas”, frisa o padre Carlos Azevedo.

JCP.

Papa e Patriarca Russo assinam histórica declaração conjunta

Francisco e Cirilo unidos em defesa do Cristianismo em todo o mundo após encontro histórico em Cuba
Havana, 12 fev 2016 (Ecclesia) – O Papa e o patriarca ortodoxo de Moscovo assinaram hoje uma declaração conjunta, após o seu encontro inédito em Havana, manifestando preocupação com as perseguições religiosas e o terrorismo.

“O nosso olhar dirige-se, em primeiro lugar, para as regiões do mundo onde os cristãos são vítimas de perseguição. Em muitos países do Médio Oriente e do Norte de África, os nossos irmãos e irmãs em Cristo veem exterminadas as suas famílias, aldeias e cidades inteiras”, refere o texto, assinado por Francisco e Cirilo, na capital cubana.

Depois de os líderes da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa Russa se terem reunido pela primeira vez na história, durante cerca de duas horas, decorreu a assinatura desta declaração conjunta, na sala do protocolo do aeroporto internacional José Martí.

O Papa e o patriarca russo evocam as igrejas “barbaramente devastadas e saqueadas”, objetos sagrados profanados e monumentos destruídos.

“Na Síria, no Iraque e noutros países do Médio Oriente, constatamos, com amargura, o êxodo maciço dos cristãos da terra onde começou a espalhar-se a nossa fé e onde eles viveram, desde o tempo dos apóstolos, em conjunto com outras comunidades religiosas”, advertem.
Os dois responsáveis pedem uma “ação urgente” da comunidade internacional para prevenir nova expulsão dos cristãos do Médio Oriente.

“Ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, queremos expressar a nossa compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis doutras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista”, prosseguem.

A declaração recorda que a violência na Síria e no Iraque já causou milhares de vítimas, “deixando milhões de pessoas sem casa nem meios de subsistência”.

Nesse sentido, exortam a comunidade internacional a “unir-se para pôr termo à violência e ao terrorismo” e contribuir para “um rápido restabelecimento da paz civil”, para além de garantir uma “ajuda humanitária em larga escala” às populações atingidas e aos refugiados nos países vizinhos.

O texto recorda a situação de dois líderes cristãos de Alepo, na Síria, Paulo e João Ibrahim, sequestrados no mês de abril de 2013, para pedir “a sua rápida libertação”.

"Curvamo-nos perante o martírio daqueles que, à custa da própria vida, testemunham a verdade do Evangelho, preferindo a morte à apostasia de Cristo", pode ler-se também.

Após a assinatura e perante os jornalistas, o Papa afirmou que ele e Cirilo falaram “como irmãos”.

“Temos o mesmo Batismo, somos bispos. Falamos das nossas Igrejas e concordamos que a unidade se faz a caminhar. Falamos claramente, sem meias palavras. Confesso-lhes que senti a consolação do Espírito neste diálogo”, adiantou.

Francisco agradeceu a “humildade fraterna” do patriarca russo e os seus “bons desejos de unidade”.
“Saímos com uma séria de iniciativa que penso serem viáveis e que se podem realizar”, acrescentou.

Agradeceu ainda aos colaboradores da Santa Sé e do Patriarcado de Moscovo que se empenharam na realização deste encontro.

Já Cirilo disse que o encontro privado de duas horas foi uma “discussão aberta” com a preocupação do “futuro do Cristianismo e o futuro da civilização humana”.

“Os resultados do diálogo permitem-me assegurar que atualmente as duas Igrejas podem cooperar conjuntamente, defendendo os cristãos em todo o mundo” e trabalhar para que “não haja guerra” e se respeite a vida humana.

Ortodoxos e católicos encontram-se divididos desde o Cisma do Oriente, em 1054, data em que trocaram excomunhões o Papa Leão IX e o patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário; as excomunhões foram levantadas em 1965, mas as Igrejas não recuperaram ainda a unidade plena.

Francisco quis ainda agradecer a “Cuba, ao grande povo cubano e ao seu presidente”, Raúl Castro, por acolherem o encontro.

“Se continuar assim, Cuba será a capital da unidade”, precisou.

“Que tudo isto seja para glória de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, para o bem do santo povo fiel de Deus, sob o manto da Santa Mãe de Deus”, concluiu, sob os aplausos dos presentes
O encontro encerrou-se com a apresentação das comitivas da Santa Sé e do Patriarcado de Moscovo.

OC

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Mensagem Quaresmal do Cardeal-Patriarca de Lisboa

“A misericórdia, com as suas obras”
Viver a Quaresma de 2016, na diocese, no país e no mundo, tem tanto de local como de universal, ainda que necessariamente conjugado por cada um de nós. E por cada um de nós como discípulo de Cristo, exercitantes que somos do Evangelho vivo.
Na nossa diocese significa caminho sinodal, para nos retomarmos em resposta ao apelo do Papa Francisco, na exortação apostólica Evangelii Gaudium. Há instantemente um sonho a cumprir: o sonho missionário de chegar a todos, até cada periferia de pessoas, grupos, estruturas e circunstâncias que esperam por nós, ainda que o não saibam.
E não tanto por nós, mas sempre pelo Evangelho de Cristo, que nos cumpre viver mais e testemunhar melhor, sempre mais e melhor. Para isto mesmo serve cada Quaresma, para nos “rasgar o coração”, para falarmos como o profeta Joel, pois nada nos basta – a nós e aos outros – senão a largueza do amor divino. Aproveitemos este tempo tão especial de graça – a Quaresma do Ano Santo da Misericórdia -, para que a escuta mais atenta da Palavra de Deus e os atos mais decididos da caridade prática nos levem a fazê-lo, em geral benefício. Somos a resposta de Cristo ao mundo; peçamos a Cristo a graça de a prestarmos.
Consideremos, entretanto, que a cidade dos homens é a base operativa da Cidade de Deus. É também por isso que as obras de misericórdia, tão relembradas pelo Papa Francisco, são igualmente corporais e espirituais, e a realizar no global. Neste ano jubilar, que todo versa o tema da misericórdia, apliquemo-nos com redobrado esforço a cada uma delas, no singular e no conjunto.
Convém lembrá-las, na formulação tradicional e facilmente memorizável, dando a cada uma a concretização que em cada caso precisa de ter. Será mesmo um bom exercício quaresmal aprendê-las de cor até à Páscoa, e não me parece demais começar já aqui: As corporais: 1ª) Dar de comer a quem tem fome. 2ª) Dar de beber a quem tem sede. 3ª) Vestir os nus. 4ª) Dar pousada aos peregrinos. 5ª) Assistir aos enfermos. 6ª) Visitar os presos. 7ª) Enterrar os mortos. As espirituais: 1ª) Dar bom conselho. 2ª) Ensinar os ignorantes. 3ª) Corrigir os que erram. 4ª) Consolar os tristes. 5ª) Perdoar as injúrias. 6ª) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo. 7ª) Rogar a Deus por vivos e defuntos.
Estou certo de que, lembrando cada uma, imediatamente nos ocorrem concretizações urgentes ou possíveis. Nas nossas casas, comunidades, escolas, hospitais, prisões, locais de trabalho ou convívio, não faltam ocasiões e apelos.

Saciar fome e sede, ter veste e alojamento, são necessidades básicas de todos e requisitos solidários também, para qualquer “sociedade” que queira realmente sê-lo. São a primeira face da realidade humana, que sempre carece e espera. Face em que nos espelhamos e onde se espelha o próprio Cristo, no rosto de quem nos interpela. O mesmo Cristo que saciava a fome material dos outros, para os saciar depois, doutra fome mais larga e persistente. Mas com esta sequência, necessariamente. Também por isso, as nossas comunidades, em que se manifesta e expande o corpo eclesial do Ressuscitado, não podem, nem querem, ignorar a face inteira da fome, sede, nudez ou desabrigo de qualquer ser humano. Se havemos de recusar o materialismo, igualmente evitaremos qualquer espiritualismo oco, para nos dedicarmos, isso sim, a um serviço concreto e global, como o Evangelho ensina. Do mesmo modo consideremos que assistir aos enfermos e visitar os presos, nos faz tocar diretamente a Cristo, que no horto sofreu agonia e prisão.
Diz um passo evangélico que quem O tocava ficava curado. Toquemo-Lo em que sofre, para alívio alheio e cura própria. Demonstrando assim que ninguém se pode salvaguardar do sofrimento dos outros. Bem pelo contrário, é na relação com quem sofre que nos curamos também a nós.
Aliás, as chamadas “questões fraturantes”, que sucessivamente irrompem, fraturam-nos sobretudo a nós como humanidade, quando se alegam assim chamados “direitos” de alguns para nos desresponsabilizar da resposta solidária que devíamos dar a todos, com mais cuidado e companhia.  
Quanto a enterrar os mortos, terá seguimento nas atuais circunstâncias, para além do que requer como serviço organizado. Para quem parte, é dignidade reconhecida e assim mesmo manifesta. Para quem fica, é amizade comprovada, que compartilha o luto e faz companhia.
Dar bom conselho, ensinar os ignorantes e corrigir os que erram, são outras tantas demonstrações de que com eles realmente estamos e para eles igualmente somos, numa pedagogia que não os dispensa nem nos dispensa a nós. Como Jesus, que nunca despedia quem O procurava, antes longamente ensinava, assim temos de estar na grande e mútua escola que este mundo deve ser.
Com verdadeiro interesse pelo bem dos outros, que não os deixe dissolver valores em caprichos, nem vaguear sem rumo. Há muita sabedoria adquirida e comprovada por milénios de humanidade, que tanto devemos guardar pessoal como socioculturalmente. Assim como não há liberdade de escolha, quando nem se conhece o que escolher.
Consolar os tristes ganha hoje particular pertinência, pois nada entristece tanto como o isolamento em que se vive, mesmo que fugazmente entretido. Para as pessoas que somos, a alegria é outro nome da verdadeira convivência, hoje escassa e por vezes nula. Prevenir ou consolar tristezas é não deixar ninguém sem companhia, seja onde for ou quando for, quer para festejar os êxitos quer para ultrapassar os fracassos. Temos tantas razões, possibilidades e meios para nos acompanharmos sempre, que é grande contradição fazê-lo pouco ou nunca.
Perdoar as injúrias, é dar a quem as faz uma oportunidade mais para se refazer melhor. Para um discípulo de Cristo, é ocasião para seguir o seu mestre, que injuriado não respondia com injúrias, assim mesmo demostrando a grandeza que tinha. Foi esta a sua maneira de converter a tantos e nos converter a nós. No presente Jubileu, reparemos especialmente na magnanimidade do Pai do filho pródigo, parábola maior da misericórdia divina.
O mesmo se diga do sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo, não desistindo de ninguém; como Deus não desiste de nós, quando demoramos tanto a recuperar-Lhe a semelhança, apesar da graça que nunca recusa. Lembra-nos São Paulo que «a Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus»: Pensemos muito nisto, para que as fraquezas dos outros nunca sejam pretexto para desistir seja de quem for. Situa-se aqui, precisamente aqui, o desafio do amor cristão. Que também não deixa de rogar a Deus por vivos e defuntos, pois a caridade nunca acabará.
Somos, tantas vezes, uma imensidão de sós... Quem não tem família por perto, vizinhos atentos, visitas nos hospitais, nas prisões, ou lares de idosos… E também nas nossas ruas e espaços, que se transformam frequentemente em locais de duvidosa compensação e perigosos consumos, para jovens e menos jovens sem ambiente doméstico nem melhor enquadramento. A estes e outros desajustamentos pessoais e sociais responderão as obras de misericórdia na respetiva complementaridade, pois tanto alojam os peregrinos de algo ou de si próprios como dão bom conselho e recriam relações. São campos abertos à caridade criativa, com muito por fazer na cidade de nós todos.

Na caminhada sinodal de Lisboa, algumas conclusões dos grupos vão já nesse sentido, valorizando, por exemplo, os nexos familiares, comunitários e intercomunitários, para que ninguém fique isolado nem se isole a si próprio, da infância à velhice. E para formar “familiarmente” as pessoas, quer em ordem ao matrimónio quer para o serviço da Família de Deus, que é a Igreja no seu todo. É este um campo prioritário para a ação diocesana; e ainda mais se definirá por certo, na conclusão programática a que chegaremos em sínodo.
Somos e seremos, ao mesmo tempo, verdadeiros cidadãos do mundo. E não só porque hoje toda a distância se anula como quem prime um botão, mas também porque deparamos aqui com uma crescente diversidade étnica e cultural concentrada em pouco espaço, o nosso espaço comum.
Num lugar central de Lisboa e arredores podem cruzar-se dezenas de pessoas de várias proveniências e tradições, religiosas ou outras. Acolhamos quem chegue agora, em busca de sobrevivência e trabalho, como acolhemos outros há algum tempo já. E no futuro, eles e nós, seremos a sociedade de todos, sobre a base comum de direitos humanos respeitados e, de facto, praticados.
Largo campo, também este, para a prática das obras de misericórdia. Em termos propriamente cristãos, sabemos que o bom futuro é assegurado pelas vidas que se oferecem a Deus, única maneira de se repartirem por todos. Como Cristo depôs a sua nas mãos do Pai, que logo a distribuiu em abundância.
Esta foi a sua Páscoa, que celebraremos inteiramente, quando também connosco for assim. Por isso mesmo, ainda que tudo corporalmente se exteriorize, é espiritualmente que se garante. Aí mesmo, no “segredo” que apenas o Pai vê e recompensa, como o Evangelho ensina. Aí mesmo, quando jejuamos de tudo o mais que não seja Deus, para nos repartirmos em esmola que a todos alcance. Não foi outro o êxodo de Cristo, não será outro o nosso, que lhe herdamos o Espírito.Com todos vós, em conversão à misericórdia divina,

† Manuel, Cardeal-Patriarca

Lisboa, Quarta-Feira de Cinzas, 10 de fevereiro de 2016

(A nossa renúncia quaresmal de 2015, destinada a várias instituições e iniciativas sociocaritativas do Patriarcado, atingiu duzentos e cinquenta mil euros. Ouvido o Conselho Presbiteral, encaminharei a renúncia quaresmal da diocese de Lisboa em 2016 para um Apoio Diocesano às Obras de Misericórdia (ADOM), que nos permita corresponder aos crescentes pedidos de ajuda de entidades que as praticam.)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Curso de Formação Avançada “Marketing, Comunicação e Pastoral"




Destaques da Semana

- QUARTA-FEIRA: Inicio da Quaresma. Missas com imposição das cinzas em Almoçageme às 9h30 e em Colares às 19h30. Reunião da Legião de Maria, no Mucifal às 15h00. Recorda-se que hoje é dia de jejum e abstinência.
- SESTA-FEIRA:  Via Sacra em Colares às 18h00.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Intenções do Papa - Fevereiro

UNIVERSAL
Respeito pela criação
Para que cuidemos da criação, recebida como dom gratuito, a cultivar e proteger para as gerações futuras.
PELA EVANGELIZAÇÃO
Cristianismo na Ásia
Para que cresçam as oportunidade de diálogo e de encontro entre a fé cristã e os povos da Ásia.

 ORAÇÃO
Pai de bondade,
criaste este mundo tão belo
para que os teus filhos te pudessem encontrar na beleza da natureza.
Toda a criação é um hino de louvor ao teu amor.
A nossa mãe terra é a fonte do sustento para todos.
Ajuda-me a cuidar dela como a nossa casa comum,
a lembrar que a minha falta de cuidado
põe em risco as gerações que virão a seguir.
Peço-te pelos que governam os povos,
para que tenham este cuidado
como uma verdadeira missão ao serviço da justiça.
Também te peço pelos cristãos da Ásia,
para que encontrem junto dos seus conterrâneos
um ambiente de paz e tolerância para viverem a sua religião.
Pai-Nosso; Ave-Maria; Glória…

DESAFIOS PARA ESTE MÊS
- Avaliar as minhas práticas ecológicas e determinar-me em adquirir bons hábitos de cuidado da criação.
- Motivar as novas gerações para o cuidado com a nossa casa comum.
- Rezar por todos os cristãos do grande continente asiático, vendo neles irmãos que partilham a mesma fé em Jesus.